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Grécia. O dia das reformas

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YANNIS BEHRAKIS / Reuters

Lagarde voltou a falar em reestruturar a dívida. O governo de Tsipras tem de apresentar hoje as medidas que prometeu no pedido de resgate. É o tudo ou nada

Na contagem decrescente para a decisão no domingo do caso grego, hoje é o dia de Alexis Tsipras apresentar, até à meia-noite, um programa de medidas que convença os líderes europeus a aceitar a Grécia na zona euro Só uma redução drástica de gastos viabilizará a aprovação do novo resgate pedido pelo governo de Atenas. O corte imediato de pensões, sugerido pelos credores, estará na lista de medidas.

As novidades mais recentes dão conta de que o governo grego estendeu o controlo de capital até segunda-feira e que alguns dos grandes bancos poderão fechar depois de aprovado o terceiro resgate.O governo fixou, entretanto, um novo limite e mil euros para os gregos que viajam para o estrangeiro.

Reestruturar a dívida
Christine Lagarde, diretora-geral do FMI, voltou a defender a reestruturação da dívida grega. Lagarde avisou em Washington que “não haverá qualquer tratamento especial” do FMI em relação à Grécia, mas que a instituição está “empenhada em ajudar a encontrar uma solução”. Mas, a solução passa pela reestruturação da dívida e por reformas e consolidação orçamental. 

Esta é a última hipótese da Grécia, o país mais endividado da Europa, de evitar a saída da moeda única. Sem acordo,o Banco Central Europeu cortará os fundos aos bancos gregos, forçando o governo a emitir notas promissórias ou recorrer soluções alternativas para manter o país a funcionar.

 "A Grécia tem de demonstrar uma vontade de seguir em frente e realizar as reformas de forma muito rápida", escrevia numa nota aos clientes citada pela Bloomberg Mujtaba Rahman, analista do Eurasia Group

Mesmo com o resgate, alguns dos grandes bancos podem vir a fechar, refere a Reuters. A possibilidade de fusões estará também a ser considerada, face à fraglidade dos bancos agravada pelo impasse político e económico. 

Conseguir um acordo com os credores representará  uma mudança de rumo radical da atual coligação no poder em Atenas. A austeridade terá de ser dura, apesar da vontade dos eleitores manifestada no referendo de domingo.

Na quarta-feira, a Grécia pediu formalmente ao Mecanismo Europeu de Estabilidade (MEE), a entidade que coordena a assistência financeira aos Estados membros,  um novo resgate de três anos. O documento assinado pelo novo ministro das Finanças, Euclides Tsakalotos, adotou um tom  conciliador, falando  na aplicação de reformas fiscais e nas pensões. Tsipras tinha definido os cortes nas pensões como uma das "linhas vermelhas" a Grécia não iria atravessar. O MEE já começou a analisar formalmente o pedido de resgate. Mas, faltam as medidas. Que terão de ser apresentadas até ao fim do dia de hoje.