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Bial alvo de buscas por suspeita de pagamentos a médicos para prescrição de medicamentos

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Companhia farmacêutica portuguesa está envolvida numa investigação da PJ sobre fraude no Serviço Nacional de Saúde, que terá partido de uma denúncia de um seu ex-colaborador durante o processo Remédio Santo. Empresa diz que está disponível para colaborar com as autoridades

Miguel Prado

Miguel Prado

Jornalista

Os escritórios da farmacêutica portuguesa Bial no Porto e em Lisboa foram na manhã desta quarta-feira alvo de uma operação de buscas da Polícia Judiciária, que surge no âmbito de uma investigação de combate à fraude no Serviço Nacional de Saúde (SNS). 

A Bial, que é uma das maiores farmacêuticas nacionais, com vendas anuais de 200 milhões de euros, já confirmou as buscas. “A Bial foi hoje de manhã surpreendida com uma investigação em curso de âmbito nacional, estando a decorrer nas suas instalações uma diligência processual”, indicou fonte oficial da empresa numa nota enviada ao Expresso

“Estranhando o sentido desta diligência, a Bial está, como sempre esteve, totalmente disponível para colaborar com as autoridades em tudo o que entenderem necessário”, refere a mesma nota. 

Ao que foi possível apurar, as buscas desta quarta-feira na companhia farmacêutica portuguesa terão resultado de uma denúncia de um dos arguidos da operação Remédio Santo, acusando várias empresas, entre as quais a Bial, de pagarem prémios a médicos para prescreverem os seus medicamentos. 

A operação Remédio Santo levou, no final do ano passado, à condenação a penas de prisão efetiva de 13 dos 18 arguidos que eram acusados de burlar o SNS em quase quatro milhões de euros, graças ao uso fraudulento de receitas médicas.

Neste processo, um dos arguidos, Rui Peixoto, confessou os crimes de burla qualificada e falsificação de documentos (recusando o de associação criminosa), tendo declarado que o esquema foi criado para que os delegados de informação médica conseguissem atingir os objetivos de vendas exigidos pelos laboratórios. Até 2012 esse arguido era colaborador da Bial.