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Juros da dívida grega disparam, contágio em três periféricos

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DIVYAKANT SOLANKI / EPA

Os juros das Obrigações do Tesouro português a 10 anos sobem para 3%. Trajetória de subida também nas obrigações espanholas e italianas. Juros da dívida grega acima de 17%. Dívida grega a caminho do Dia D. Polónia recua na entrada no euro

Jorge Nascimento Rodrigues

O mercado secundário da dívida soberana acordou com um disparo nas yields das obrigações gregas a 10 anos que saltaram de 14,88%, no fecho de sexta-feira antes do referendo, para 17,25% na abertura desta segunda-feira já marcada pela expressiva vitória do “não” na Grécia e o pedido de demissão do ministro das Finanças helénico Yanis Varoufakis a pedido do primeiro-ministro Alexis Tsipras.

O pedido de demissão seria o preço político para a possibilidade de continuação das negociações em Bruxelas com os credores oficiais. A Reuters adianta o nome de Euclid Tsakalotos, o atual responsável político grego pelas negociações no Grupo de Bruxelas e vice-ministro para as Relações Económicas Internacionais, como o nome mais forte para substituir Varoufakis. Mas outros dois pesos pesados do Syriza são dados como candidatos ao lugar do mediático académico que se afastou dos holofotes, o ministro da Economia George Stathakis e o próprio vice-primeiro-ministro Yiannis Dragassakis, segundo a Macropolis.

A caminho de 20 de julho
A Grécia tem pela frente duas semanas muito difíceis com alta probabilidade de um “acidente” financeiro poder estoirar. O primeiro dia de alto risco ocorre já a 13 de julho com a provável segunda falha de pagamento ao Fundo Monetário Internacional (quando o Tesouro helénico terá de pagar 451 milhões de euros). Segundo muitos analistas o Dia D – de default ou não default - surge a 20 de julho, quando Atenas terá de amortizar as obrigações detidas em carteira pelo Banco Central Europeu e os bancos centrais do Eurosistema.

O contágio grego no mercado da dívida está a fazer sentir-se nos três periféricos do “Sul”, nas obrigações portuguesas, espanholas e italianas. As yields das Obrigações do Tesouro a 10 anos abriram acima de 3%, depois de terem fechado em 2,96% na sexta-feira passada.

Com a descida das yields das obrigações alemãs a 10 anos – conhecidas pela designação de Bunds -, que voltam a perfilar-se como claros valores de refúgio, o prémio de risco da dívida dos periféricos está a subir.

Polónia diz "não"
Os mercados vão "digerir" duas novidades da manhã desta segunda-feira, além do "minister no more" de Varoufakis.

O ministro das Finanças polaco afirmou que "a inabilidade em lidar com a crise grega é um argumento para a Polónia não entrar, por ora, no euro". Mateusz Szczurek sinaliza, assim, a primeira "baixa" provocada pelo "não" helénico no projeto do euro.

Por outro lado, o ministro das Finanças espanhol, Luis De Guindos, adiantou que Espanha apoia a solicitação de um terceiro resgate por parte da Grécia, que deverá manter-se no euro. De Guindos tem sido apontado como estando na corrida para substituir o atual presidente do Eurogrupo, que está a ser criticado pelas suas posições recentes sobre o referendo helénico.

Maré vermelha nas bolsas europeias, com destaque para maiores quedas nas bolsas de Lisboa e Milão acima de 2%. A Bolsa de Tóquio fechou no vermelho com o índice Nikkei 225 a cair mais de 2%.

Um dos indicadores a seguir é a evolução do preço dos seguros contra o risco de incumprimento da dívida grega (designados por credit default swaps, acrónimo cds) que dispararam a 30 de junho – dia em que o Tesouro grego entrou em falha de pagamento junto do Fundo Monetário Internacional e se concluiu o prolongamento do segundo programa de resgate sem qualquer acordo, apesar das divergências entre as duas partes já terem sido encurtadas para 600 milhões de euros. O custo dos cds disparou para mais de 7000 pontos base no final do mês e registou quase 7900 pontos no fecho da semana passada. Níveis que já não se observavam desde fevereiro de 2012, quando foi anunciado o processo de reestruturação da dívida grega no âmbito do segundo resgate.

O dia será marcado pela decisão do Banco Central Europeu em relação ao teto da linha de emergência de liquidez – conhecida pelo acrónimo ELA em inglês – e às condições de recurso por parte dos bancos gregos junto do Banco Central da Grécia. O sistema bancário grego continua sujeito a um ‘corralito’ de movimentos de capitais.

  • Abertura dos bancos gregos nas mãos do BCE

    É pouco provável que os bancos e a bolsa de Atenas reabram amanhã, como estava previsto. Quem o irá decidir é o governo grego, mas é o BCE quem tem o poder nas mãos, e se não abrir a linha de financiamento de emergência aos bancos gregos eles deverão continuar fechados. A reabertura do sistema financeiro é uma das questões mais sensíveis

  • Independentemente do resultado do referendo realizado este domingo, o Tesouro grego enfrenta um mês muito “quente” em termos de dívida externa. Os analistas apontam 20 de julho como o dia decisivo, caso €3,9 mil milhões não forem pagos ao BCE e Eurosistema. Haverá um efeito em cascata