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BCE endurece posição face à Grécia

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YVES HERMAN / Reuters

Os banqueiros centrais do euro decidiram em Frankfurt não aumentar a linha de emergência a que podem recorrer os bancos gregos e “ajustar” a redução de valor dos colaterais que apresentam junto do Banco Central da Grécia. Há uma ameça real de colapso bancário

Jorge Nascimento Rodrigues

A linha de emergência de liquidez - conhecida pela sigla ELA em inglês - a que podem recorrer os bancos gregos junto do Banco Central do país não foi aumentada, ao contrário do que vem pedindo o governador do Banco Central da Grécia e o governo de Atenas. E, numa decisão nova, os banqueiros centrais do euro decidiram "ajustar" o nível do hair cut (da redução) que aplicam ao valor dos colaterais (das garantias) que os bancos helénicos apresentam para pedir esses financiamentos de emergência. Foram as duas primeiras decisões que tomaram depois de conhecidos os resultados do referendo na Grécia.

Em suma, a reunião do Banco Central Europeu (BCE) realizada esta segunda-feira à tarde em Frankfurt endureceu a posição em relação à Grécia, tornando mais difícil mexer no "corralito" bancário (restrição de movimentos de capitais para travar a sangria de depósitos dos bancos) que vigora desde 29 de junho.

Segundo o jornal grego "Kathimerini", o aumento do hair cut imposto reduz em 2/3 o dinheiro que os bancos podem solicitar à linha de emergência.

A presidente da Associação de Bancos grega já comunicou que os bancos continuarão de portas fechadas pelos menos terça e quarta, até haver resultados das reuniões políticas de alto nível que se iniciaram esta segunda-feira em Paris entre a chanceler alemã e o presidente francês sobre o tema da crise grega e que se estenderão com o Eurogrupo e a cimeira do euro na terça-feira.

O BCE decidiu não aumentar o teto da ELA, que está, desde 23 de junho, em 88,6 mil milhões de euros. Os banqueiros centrais do euro voltam a reunir na próxima quarta-feira.

Dupla ameaça
O risco de um colapso iminente do sector bancário grego aumentou. Há, agora, uma dupla ameaça.

A primeira tem a ver com as decisões do BCE sobre os haircuts nas garantias, que se poderão agravara ainda mais.

A segunda ocorrerá se o Fundo Europeu de Estabilidade Financeira (FEEF) decidir premir o botão da exigência de pagamento imediato do empréstimo feito à Grécia, face a eventos de incumprimento sucessivos em relação a outros credores oficiais (Fundo Monetário Internacional e Banco Central Europeu), o que poderá ocorrer agora em julho. A essa decisão drástica será associada outra que afetará diretamente a banca grega - o FEEF pode decidir confiscar todas as suas participações na banca por via da recapitalização do sector.