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Abertura dos bancos gregos nas mãos do BCE

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JOHN THYS / AFP / Getty Image

É pouco provável que os bancos e a bolsa de Atenas reabram amanhã, como estava previsto. Quem o irá decidir é o governo grego, mas é o BCE quem tem o poder nas mãos, e se não abrir a linha de financiamento de emergência aos bancos gregos eles deverão continuar fechados. A reabertura do sistema financeiro é uma das questões mais sensíveis

Vai ou não o Banco Central Europeu (BCE) fechar a torneira da liquidez aos bancos gregos? É esta uma das grande questões que se coloca atualmente. O BCE vai reunir hoje para avaliar a situação e deliberar sobre as condições de financiamento dos bancos gregos ao abrigo da linha de Assistência de Emergência de Liquidez, que está limitada a 89 mil milhões de euros.

Se o BCE não abrir a linha de emergência, os bancos gregos não irão abrir na terça-feira, como estava previsto, dizem os analistas, até porque se o fizessem estavam a dar "um tiro no escuro" e a abrir a porta para o caos. Na sexta-feira, o Louka Katseli, presidente da associação de bancos, disse que a "almofada de liquidez" da banca grega era de cerca de mil milhões de euros, o que garantia liquidez apenas até hoje, segunda-feira. Está tudo nas mãos do BCE.

Desde segunda-feira da semana passada que os gregos só podem levantar no multibanco 60 euros por dia. Os bancos e a Bolsa de Atenas estão fechados desde dia 29 de junho.

O ex-ministro grego das Finanças, Yanis Varoufakis, atribuia na semana passada a responsabilidade do encerramento da banca às instâncias europeias. "É uma crise de liquidez politicamente planeada", dizia. É também por isso que os analistas defendem hoje que a resolução da crise grega é política, economicamente já se sabe que a Grécia está recessão profunda e não sairá de lá tão cedo. Vai ou não haver uma reestruturação da dívida (leia-se perdão de uma parte significativa) e que tipo de reestruturação se fará é o que está neste momento em cima da mesa.

"A razão pela qual os bancos estão a ficar sem liquidez nada tem que ver com a situação vivida pelos próprios bancos gregos", dizia em entrevista à cadeia de televisão ABC, Yanis Varoufakis, que se demitiu esta manhã para não atrapalhar as negociações. E apontava o dedo ao BCE, que afirma ter tido ordens para estancar a liquidez dos sisterma financeiro helénico. 

Na entrevista, Varoufakis, acusou ainda: "A abordagem à crise feita pela Zona Euro nos últimos cinco anos minou a capacidade de recuperação da economia global". Não obstante, o ex-ministro das Finanças defendeu ontem que "a moeda única e a democracia são compatíveis entre si".