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Na corrida ao Novo Banco é a chinesa Anbang quem dá mais

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FOTO José Coelho / Lusa

São 4,2 mil milhões de euros que a Anbang se propõe pagar pelo Novo Banco, mais do que a Fosun e o fundo Apollo. O que é a Anbang?

Dos três candidatos à compra do Novo Banco que, na última terça-feira, oficializaram as suas propostas, a seguradora chinesa Anbang é a que tem a proposta mais tentadora em termos de valor: segundo notícia avançada pela SIC, o grupo chinês estará disposto a pagar 4,2 mil milhões de euros. Contudo, poderá subir a fasquia durante a próxima fase de negociações, quando o Fundo de Resolução abordar diretamente os interessados no Novo Banco. Ontem, soube-se que, dos cinco candidatos iniciais à compra da instituição bancária, apenas três avançaram com propostas concretas de compra: a Anbang, a também chinesa Fosun e o fundo de private equity norte-americano Apollo, Santander e Cerberus desistiram.

A Anbang é o único candidato que não tem outros negócios em Portugal. A Fosun já é dona da seguradora Fidelidade (85%) e da Luz Saúde (100%) e o fundo Apollo comprou a Tranquilidade. Também por essa razão, além dos valores que oferece, a Anbang pode ser vista pelo governo como favorita à corrida pelo Novo Banco.

O conglomerado Fosun oferece um valor ligeiramente abaixo da fasquia dos 4 mil milhões de euros. Contudo, avançou a SIC, a sua proposta terá muitas condições. Por exemplo, no caso do Banco Central Europeu (BCE) obrigar a um aumento de capital maior do que aquele que o grupo conta fazer no Novo Banco, esse montante será descontado no preço inicial. Será também descontado um eventual pagamento de obrigações que os novos acionistas venham a ser obrigados a fazer. No final, o valor pago pela Fosun poderá não ir além dos 2 mil milhões de euros.

Também o Diário Económico adianta que as propostas de compra feitas pelos candidatos estarão entre os 3,5 mil milhões e os 4 mil milhões de euros, o que leva a crer que será o fundo Apollo a fazer a oferta mais baixa.

O que é a Anbang?

Os analistas considera que será sobretudo o factor preço a fazer a diferença na escolha do vencedor desta corrida. Se assim for, à  luz dos valores que vão sendo agora conhecidos, a Anbang sairá vencedora.

Mas o que é a Anbang? Esta firma financeira permaneceu bastante discreta até ao final de 2014, quando anunciou a compra do famoso hotel Waldorf Astoria, em Nova Iorque, por 1,8 mil milhões de euros. Até aí, era mais uma empresa chinesa. No último ano, passou a ser um grupo global.

Fundada em 2004 e inicialmente concentrada no mercado de seguros automóvel, a Anbang fez várias aquisições importantes no ano passado: comprou a Fidea Assurances, uma seguradora belga, e avançou sobre o segundo maior banco da Coreia do Sul, o Woori. Já este ano adquiriu a seguradora holandesa Vivat por 975 milhões de euros, além da sul-coreana Tongyang Life. E fechou novamente um contrato milionário em Nova Iorque: pagou 375 milhões de euros por uma parte dos escritórios do edifício 717 da Quinta Avenida ao grupo Blackstone.

Se conseguir ficar com o Novo Banco, a Anbang teria assim a oportunidade de ganhar uma licença bancária na Europa, o que lhe permite acelerar o seu processo de diversificação e de expansão.

Já dentro das fronteiras chinesas, a companhia tem sido bastante ativa, detendo uma fatia de mais de 20% no Minsheng Bank, a maior instituição de crédito privada chinesa. E fala-se, eventualmente, de uma tentativa de tomada de poder da Anbang sobre este banco. Está também presente noutras instituições bancárias chinesas.

À frente da Anbang está Wu Xiaohui, um empresário conhecido pelas suas relações com o poder. Wu já foi casado com a neta de Deng Xiaoping, o reverenciado líder comunista chinês que, na década de 1980, colocou em marcha as reformas de liberalização da economia chinesa, que colocaram o país na senda do crescimento económico. Amigos de magnatas e burocratas, Wu tem transformado a Anbang a uma velocidade impressionante.

No ano passado, a empresa angariou cerca de 7,2 mil milhões de euros de financiadores privados, o que lhe permitiu quintuplicar o seu capital social, ultrapassando até a dimensão de maiores seguradores estatais chinesas, como a China Life e a PICC.