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Desistência do Santander surpreende. Novo Banco entre a China e os EUA

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Acabou por ser uma surpresa no meio financeiro a desistência do Santander à compra do Novo Banco, uma vez que seria a instituição que mais sinergias teria. Ficaram na corrida a norte-americana Apollo e os chineses Fosun e Anbang. Se este último ganhar a corrida será uma estreia no mercado português.

Dos cinco candidatos iniciais à compra do Novo Banco ficaram três (os chineses Fosun e Anbang e o private equity norte-americano Apollo) e desistiram dois (Santander e Cerbus), soube-se ao final da tarde desta terça-feira.

Desconhece-se ainda o valor das ofertas, mas na Bolsa de Lisboa a banca está em forte alta esta manhã. Quem mais valoriza é o BPI, com um ganho de 2,85%, ás 10h20, à frente do BCP (+2,31%) e do Banif (+1,59%). 

O facto de o Santander ser o candidato que mais sinergias conseguiria obter com a compra do Novo Banco fez com que os analistas tivessem ficado um pouco surpreendidos com a sua desistência, embora considerem que esta é mais positiva para o sector e favorável do ponto de vista social.

Uma vitória do Santander, já presente no mercado português, iria necessariamente levar a despedimentos e encerramento de balcões, e impôr mais remédios do ponto de vista da Concorrência. Admitem os analistas que o banco espanhol, liderado por Vieira Monteiro, poderá não ter avançado porque a carteira de clientes e de crédito é pouco atrativa. 

Resta saber agora quem é o favorito. O preço vai ditar o vencedor, consideram os analistas, por isso enquanto não se conhecerem as propostas não será fácil acertar.

A chinesa Anbang poderá ser a favorita já que não tem atividade em Portugal, mas há quem diga que o facto de a Apollo já ser dona da Tranquilidade lhe dá alguma vantagem. A família Espírito Santo, recorde-se, recomeçou a construção do grupo a partir da privatização da Tranquilidade. Já a Fosun, tendo em conta que já é dona da Fidelidade e tem andado a financiar-se através da seguradora, poderá desta vez sair perdedora.

Sem o Santander na corrida à compra do Novo Banco, abre-se maior espaço para uma eventual fusão entre BCP e BPI, proposta por Isabel dos Santos. É que se o Santander ficasse com o Novo Banco o mercado de banca português ficaria mais concentrado e essa fusão entre o BCP e BPI não só agravaria a situação como levantaria questões em termos de Concorrência.