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Semestre na Bolsa. Jerónimo Martins e Galp as que mais recuperam

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O primeiro semestre de 2015 na Bolsa de Lisboa traduz uma recuperação do PSI 20 (15%) e da generalidade das cotadas

Nuno Fox

Os primeiros seis meses de 2015 foram generosos para Soares dos Santos, Américo Amorim e Isabel dos Santos, acionistas das empresas que mais sobem

Na Bolsa portuguesa, o semestre acaba sob forte pressão dominado pelo nervosismo do efeito Grécia. Esta segunda-feira nenhuma cotada escapou à fúria dos investidores (-5,2%). Mas, esta terça-feira (ao meio-dia) a Bolsa de Lisboa respirava melhor e negociava com perdas suaves (0,1%), com a banca a recuperar das severas correções da véspera. 

O primeiro semestre de 2015 traduz, todavia, uma recuperação do PSI 20 (15%) e da generalidade das cotadas. E quem fez melhor do que o índice? 

JM, Altri e Galp
A Jerónimo Martins sofrera uma punição severa em 2014 por causa da degradação de margens no mercado polaco. Lançou um programa para revitaliza as vendas na Polónia e embora os resultados sejam ainda modestos foi acolhido favoravlemnte pelos investidores. O crescimento do consumo em Portugal ajuda. O resultado é uma recuperação no semestre de 38%.  A sua capitalização atual e de 7,2 mil milhões (56% pertence à família Soares dos Santos).  Desde janeiro, a fortuna da família ganhou 1,2 mil milhões de euros. 

A Altri (32%), de Paulo Fernandes, está também em destaque. É um caso de dois em um. Os preços da pasta de papel em dólares continuam a subir, ao mesmo tempo que o euro desvaloriza face ao dólar. Valorizou 180 milhões de euros. 

A Galp é a segunda maior capitalização (8,7 mil milhões de euros) e reduziu a distância para o líder, a EDP. No primeiro semestre, recupera (25%) da correção excessiva que sofrera na segunda metade de 2014 por causa do preço do petróleo.

Boas notícias para Américo Amorim, Sonangol e Isabel dos Santos, reunidos  na holding Amorim Energia, com 38% da petrolífera. A valorização da Galp reforçou em 1,6 mil milhões de euros o valor da Amorim Energia. E por falar em Amorim, a sua Corticeira, afastada do PSI-20  pela reduzida liquidez, regista um desempenho favorável (28%) valendo mais de 500 milhões de euros.  

Construção & África
Mesmo sem os ventos adversos da Grécia, o semestre já se mostrara desfavorável para os dois conglomerados construtores cotados. 

A Teixeira Duarte (perde 28%) depende, além da construção, do mercado angolano. Faz em Angola metade da sua faturação, com negócios na distribuição, comércio automóvel e hotelaria. E, já se sabe, os negócios em Angola não estão a correr bem. 

Também por causa de África sofre a Mota-Engil (-15%). A cotação do conglomerado sofrera um forte impulso com as novas obras em África, exteriores a Angola. Uma parte das empreitadas beneficiavam de investimentos em minérios de ferro e afins. Com o colapso do preços das commoditties, as obras desapareceram. A recessão do mercado angolano é outro fator que penaliza. 

Temos ainda a Pharol (ex- PT SGPS), a cotada que mais desvaloriza (52%). Mas esse é um caso que escapa à lógica do mercado. A destruição de valor (80% em 12 meses) acentuou-se. No fim de 2014 valia no mercado 890 milhões de euros e vai fechar o semestre na casa dos 350 milhões de euros. Péssimas notícias para o Novo Banco que herdou uma participação de 12,5%, que desvalorizou este semestre 65 milhões de euros. 

Três ofertas no semestre
E para a história da Bolsa portuguesa, este primeiro semestre contribuiu com três ofertas públicas de aquisição. Duas delas  já enterradas (BPI e PT SGPS) e uma terceira menos excitante (Semapa) por envolver uma troca. Nos dois primeiros casos, Isabel dos Santos foi a principal protagonista, lançando a oferta na PT e abortando a operação do Caixabank no BPI. 

Sobra ainda a oferta da Semapa sobre a própria Semapa, em que Pedro Queiroz Pereira paga com ações da Portucel (negócio da pasta e papel) aos acionistas que aceitem vender as ações da diversificada Semapa.