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Novo Banco. Qual a dimensão da perda?

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Uma venda do Novo Banco inferior a 4,9 mil milhões de euros conduz a perdas para o Fundo de Resolução, suportado pelo sistema bancário

Alberto Frias

As propostas vinculativas pelo Novo Banco têm de ser entregues até às 17h desta terça-feira. O Banco de Portugal admite recorrer a um leilão final para maximizar o preço e diferenciar as ofertas

Os cinco candidatos selecionados pelo Banco de Portugal (BdP) à compra do Novo Banco têm de entregar as suas propostas vinculativas até às 17h desta terça-feira .A novidade é que o BdP admite recorrer a um leilão final para maximizar o preço e diferenciar as ofertas. Uma venda inferior a 4,9 mil milhões de euros conduz  a perdas para o Fundo de Resolução, suportado pelo sistema bancário. A dúvida que subsiste é relativa à dimensão da perda.

Santander, Fosun, Anbang Insurance Group, Apollo Global Management e Cerberus, eis a lista de candidatos que entregarão as propostas, isto se não houver desistências. 

Ainda antes do "Financial Times" ter referido, no início de junho, que a luta estaria reduzida aos dois conglomerados chineses, já no mercado se tinha como adquirido que Fosun e Anbang teriam o cheque mais chorudo para entregar pela operação. No seu blogue, João Rendeiro escrevia, entretanto, que num jantar em Xangai os presidentes dos dois conglomerados teriam acertado uma estratégia concertada, cabendo à Anbang a oferta mais generosa. E que ela poderia mesmo chegar aos 5000 milhões de euros. O "Financial Times" admitia uma oferta vinda da China superior a 4000 milhões de euros.

É impensável que o Santander possa chegar a um valor tão elevado, apesar das sinergias operacionais e comerciais que a operação gera. Também os fundos americanos não estariam dispostos a aproximar-se da cifra mágica dos 4000 milhões de euros. Todos os finalistas escondem jogo até ao fim.

Leilão no horizonte
Mas as propostas que esta tarde serão entregues podem não ser as ofertas finais. O BdP avisou os finalistas que pode ainda recorrer a um leilão entre as das melhores ofertas, concedendo uma derradeira oportunidade aos candidatos para subirem o preço  A ideia é estabelecer uma diferença nítida entre as propostas no caso de elas se aproximarem. O banco central português só tomará a decisão depois de receber e avaliar as propostas.

Além do preço a pagar ao Fundo de Resolução, as propostas vinculativas incluirão um programa de recapitalização para reforçar os rácios financeiros do Novo Banco. No final de 2014, o rácio de capital era de 9,5%, inferior ao dos principais bancos do sistema. Os candidatos terão ainda de dizer como irão salvaguardar a solidez do banco em caso de nova crise económica. O preço é o principal critério na seleção do vencedor. Em julho, será conhecido o vencedor.