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Estado português tem almofada até ao fim do ano

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Ana Baião

IGCP não vai fazer novos reembolsos ao FMI até setembro e tem folga para viver sem ir aos mercados vários meses. Juros já começaram a subir

A situação na Grécia não vai fazer a Agência de Gestão da Tesouraria e da Dívida Pública (IGCP) alterar os planos. Como avançou o Expresso na edição de 19 de junho, houve um reembolso de 1,8 mil milhões de euros ao FMI este mês  – que se juntou aos 6,6 mil milhões de euros já amortizados antecipadamente antes – e o próximo só está previsto para setembro. 

Ou seja, a almofada financeira do Estado que ronda atualmente 14 mil milhões não será usada, para já, para novos pagamentos ao Fundo. E, além disso, há sempre a possibilidade de serem suspensos os reembolsos antecipados se necessário.

A atual almofada dá tranquilidade ao Estado para viver, se necessário, durante vários meses sem ir ao mercado. Se não fizer nada, chega ao final do ano com cerca de €1000 milhões. 

Esta folga conta, no entanto, com a devolução de €3,9 mil milhões de euros que o Estado emprestou ao Fundo de Resolução para intervir no BES que, caso não haja venda do Novo Banco, podem não ser devolvidos já. Nesse caso, a almofada será menor mas, mesmo assim, cobre praticamente todo o ano desde que os €2,2 mil milhões de reembolsos ao FMI calendarizados para 2015 sejam adiados.

Mesmo com as amortizações antecipadas ao FMI, o IGCP conta chegar ao final do ano com uma almofada de liquidez de €9,8 mil milhões, desde que cumpra o montante de emissões que tem previsto, mais concretamente colocações de obrigações no valor de €12,6 mil milhões.

Não estão calendarizadas, neste momento, quaisquer emissões de Obrigações do Tesouro. A última colocação foi realizada a 27 de maio quando o IGCP emitiu 1000 milhões de euros com vencimento em 2021 à taxa de 1,5529%. Já os Bilhetes do Tesouro, que são dívida de curto prazo, têm sido emitidos com maior frequência e podem continuar a ser emitidos por servem, em muitos casos, para refinanciar séries que vão chegando à maturidade.

A situação na Grécia está a provocar uma subida dos juros em vários países da zona euro, com a Alemanha a ter uma descida. A taxa da dívida portuguesa a 10 anos subiu cerca de 0,5 pontos e está neste momento em 2,982%.