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Obama e Merkel com linha direta. Gregos podem levantar €60 por dia

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Obama e Merkel já conversaram sobre a situação grega

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O presidente da maior potência mundial e a chanceler da potência que lidera a zona euro decidiram que as suas equipas técnicas estarão em contacto estreito. A partir de terça-feira as caixas de “multibanco” na Grécia voltam a operar, mas gregos vão levantar 1/5 do que os cipriotas puderam em 2013

Jorge Nascimento Rodrigues

A Casa Branca confirmou que o presidente norte-americano Obama e a chanceler alemã Merkel falaram ao telefone este domingo sobre a situação grega e decidiram que as equipas económicas dos dois governos monitorizem em permanência a evolução da situação helénica e permaneçam em contacto estreito.

Também neste domingo, o Secretário do Tesouro norte-americano Jack Lew incitou o homólogo alemão, o ministro das Finanças alemão Wolfgang Schäuble, e a diretora-geral do Fundo Monetário Internacional, Christine Lagarde, a encontrarem uma solução “sustentável” para a Grécia.

Entretanto, o encerramento do sistema bancário grego vai estender-se até depois do referendo a 5 de julho, mas as caixas “multibanco” voltarão a operar já na terça-feira permitindo levantamentos diários até 60 euros por pessoa, segundo está a ser avançado, ainda que sem confirmação oficial. As caixas apenas estarão fora de serviço esta segunda-feira.

Segundo a Reuters trata-se da recomendação do Conselho grego de Estabilidade Financeiro reunido esta tarde de domingo. A confirmar-se será um valor muito inferior ao limite estabelecido pelo Banco Central de Chipre em março de 2013, permitindo levantamentos até 300 euros por dia, por cada cidadão e em cada instituição bancária. Os gregos apenas poderão levantar 1/5 do que os cipriotas foram autorizados então.

Quanto aos cidadãos e turistas com cartões de débito ou crédito emitidos por bancos estrangeiros, os limites de levantamento serão estabelecidos pelos próprios bancos, ainda segundo a Reuters.

Nas redes sociais corre já a "dica" que o mercado negro de euros vai florescer na Grécia com turistas e residentes gregos no estrangeiro com euros em dinheiro vivo no momento em que os euros "gregos" estarão sujeitos a um 'corralito' pelo menos até depois do referendo.

Depois da imposição de controlo de capitais em março de 2013 em Chipre (que durou até abril passado), agora é a vez da Grécia no quadro da zona euro.

Grimbo não Grexit
O regime de controlo de capitais não significa que a Grécia estará à beira de uma Grexit, ou seja de uma saída do euro, ainda que a moeda comum ao 19 sofrerá, por um período determinado, restrições. Em Chipre, em 2013, falava-se de um euro de segunda classe, um regime excecional que durou dois anos.

Uma Grexit, formalmente, implica uma decisão legislativa do governo de Atenas -uma nova legislação monetária - no sentido de estabelecer uma nova moeda com curso legal e disposições implicando a redenominação para a nova moeda de todos os contratos e instrumentos financeiros em euros, como bem salientava a City Research numa nota aos seus clientes emitida este domingo. A situação atual, como a caracteriza a nota da Citi, é de um Grimbo - Grécia no limbo.