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Mercado da Ribeira vai ‘chegar’ a Londres e Nova Iorque

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O Mercado da Ribeira desenvolvido pela “Time Out” foi inaugurado 
em maio de 2014

Marcos Borga

É uma ideia portuguesa com certeza: recriar espaços da cidade nos mercados tradicionais. Time Out internacional compra empresa portuguesa que criou conceito do mercado lisboeta

O conceito que a Time Out Portugal desenvolveu no Mercado da Ribeira, em Lisboa, vai ser replicado pelo Time Out Group em todo o mundo. A começar pelas cidades de Londres e Nova Iorque. O processo está já em marcha e teve como primeiro passo a compra da maioria do capital da empresa portuguesa responsável pelo projeto lisboeta, a MC Mercados da Capital, detida pelos sócios da edição portuguesa da revista “Time Out”. 

O negócio foi confirmado ao Expresso pelo diretor da revista portuguesa, João Cepeda, revelando que as negociações com o fundo Oakley Capital Investments — proprietário da Time Out Group — ficaram fechadas nas últimas semanas. A internacionalização do conceito será liderada pelo próprio João Cepeda, que aceitou o convite para assumir o cargo de CEO desta nova unidade de negócio da Time Out. 

“O grupo acompanhou o processo do Mercado da Ribeira desde o início, viram o sucesso do conceito e no final do ano passado surgiu a primeira abordagem no sentido de tentar levar esta ideia mais longe”, conta João Cepeda, sem esconder o “grande orgulho” que sente por ver um projeto de “uma equipa pequena em Lisboa” despertar o interesse de um “fundo de grande dimensão como o Oakley”.

João Cepeda não comenta os contornos do negócio, nomeadamente a percentagem da MC Mercados da Capital adquirida pelo Oakley Capital Investments e o montante envolvido na operação. Revela apenas que os sócios fundadores manterão uma participação minoritária e assume que o interesse do fundo nesta área de negócio garante “outro músculo” ao desenvolvimento do conceito. Não apenas em Lisboa — onde a expansão do projeto do Mercado da Ribeira ainda está em curso — mas também nas próximas geografias. “Temos à partida uma vantagem, que é ter agora o apoio de um grupo com uma grande capacidade financeira”, constata.

O conceito a desenvolver nas novas cidades “ainda está a ser definido”. Mas, à semelhança da experiência implementada no Mercado da Ribeira, a ideia base passará por recriar em espaços emblemáticos das cidades o que acontece nas mais de 30 edições internacionais da revista. “A ideia de food market já existe em todo o mundo, mas o objetivo é inovar pelo lado da curadoria na cultura, nos espetáculos ou na música, juntando isso às experiências de comida e bebida”.

Os primeiros espaços desenvolvidos por esta nova unidade de negócio da Time Out  “deverão ser inaugurados “nas duas grandes cidades mundiais: Londres, que é também a casa mãe da Time Out, e a seguir Nova Iorque. Depois começaremos a implementar projetos por todo o mundo”, sintetiza João Cepeda. 

O trabalho de identificação de potenciais espaços em “locais emblemáticos” destas duas cidades “já está em andamento”. Mas as datas de abertura não estão ainda calendarizadas. Cepeda antecipa no entanto que, tendo por referência o projeto lisboeta, será necessário “pelo menos um ano e meio” para abrir esses primeiros negócios em Inglaterra e nos Estados Unidos. 

De Lisboa para o mundo
Em aberto está também a definição da cidade onde ficará sediada esta nova área de negócio do Time Out Group. Mas o CEO João Cepeda admite que gostaria que a operação ficasse centrada em Lisboa. “A capacidade que mostrámos em Portugal ao nível da curadoria, do design ou da arquitetura provam que temos uma qualidade igual ou superior a qualquer outro sítio. E até com preços mais baratos do que noutras cidades”, sustenta. 

A possibilidade de o centro estratégico desta operação ficar em Lisboa não está, de resto, descartada, embora o diretor da Time Out em Portugal esteja preparado para fazer as malas. “Aceitei o desafio com grande responsabilidade e motivação, independentemente de isso obrigar-me, ou não, a deslocalizar. É estimulante levar uma ideia original como esta por aí fora”.

Neste momento, diz, o mais importante é a satisfação pelo sucesso da aposta “numa forma diferente de monetizar um título de media”, em jeito de “spin off da revista para um mercado”. “Estamos muito contentes por ter feito este negócio”.

Recorde-se que a exploração do Mercado da Ribeira foi atribuída pela Câmara de Lisboa à Time Out em 2010, no âmbito de um concurso público para concessionar este espaço, situado junto ao Cais do Sodré. O processo foi então lançado pela autarquia no âmbito do processo de revitalização dos mercados lisboetas. 

De acordo com os números divulgados na altura pela Câmara e pela Time Out, o projeto entretanto desenvolvido no Mercado da Ribeira — e que estreou no ano passado (ver caixa) — deveria envolver obras num valor superior a €4 milhões e o pagamento de uma mensalidade de €12 mil durante 20 anos.