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Bancos fecham toda a semana. 'Corralito' em pleno na Grécia

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ANGELOS TZORTZINIS / AFP / Getty Images

Diversos órgãos de comunicação social helénicos estão a anunciar que as dependências bancárias não abrem segunda-feira. Feriado bancário por uma semana e controlo de capitais a caminho na Grécia. Bolsa de Atenas também não abre

A decisão de controlo de capitais e fecho dos bancos já teria sido tomada neste domingo pelo Conselho de Estabilidade Financeira da Grécia, estão a adiantar diversos órgãos de comunicação social gregos e a informação deste medida drástica tornou-se viral nas redes sociais. A medida durará, pelo menos, até depois do referendo a 5 de julho.

Esta decisão já era esperada depois do Banco Central Europeu ter decidido não autorizar o aumento do teto da linha de emergência de liquidez - conhecida pela sigla ELA - na reunião que realizou este domingo.

Na gíria financeira a situação é alcunhada de 'corralito', a expressão criada pelo jornalista argentino Antonio Laje para as medidas de emergência tomadas naquele país latino-americano em dezembro de 2011 pelo presidente Fernando de La Rúa. O ministro das Finanças helénico, o académico Yanis Varoufakis, adiantou que "conceptualmente" é contra a instauração de mecanismos de controlo de capitais no quadro de uma zona monetária única, mas as circunstâncias podem exigir esse tipo de medidas drásticas.

Os bancos vão manter as portas fechadas durante a  próxima semana e medidas de controlo de capitais vão ser anunciadas face à sangria nos depósitos registada nos últimos dias. Anthimos Thomopoulos, diretor-geral do Banco Pireu, confirmou aos jornalistas, à saída da reunião do Conselho de Estabilidade Financeira, que as dependências do seu banco não abrirão na segunda-feira. O Banco Pireu é um dos quatro maiores do país. A Bolsa de Atenas também não abrirá as portas, segundo a Reuters. O analista Hugo Dixon sublinhou que a primeira onda de choque desta medida será sentida pelos turistas, em plena época alta, que deixarão de poder levantar dinheiro nas caixas automáticas e nos bancos.

Um "corralito" foi imposto na Argentina durante um ano (entre dezembro de 2001 e dezembro de 2002) e na Islândia em novembro de 2008, não tendo sido ainda levantado, no quadro de crises de balança de pagamentos - distintas da crise grega de dívida soberana arrastando uma crise bancária. Medidas de controlo de capitais no quadro da zona euro foram impostas em Chipre a 15 de março de 2013, no quadro de um plano de resgate da troika, e as ultimas medidas restritivas só foram levantadas a 6 de junho passado. O analista Pedro da Costa já sublinhou num tweet que "a Grécia não é Chipre. Nem a Argentina".

Tsipras pede nova extensão
Na comunicação que fez ao país, o primeiro-ministro Alexis Tsipras confirmou que o Governo irá impor "limitações às transações bancárias" e responsabilizou o Banco Central Europeu (BCE), por não ter aumentado a assistência de liquidez aos bancos gregos (ELA) este domingo. "[A decisão] não tem claramente outro objetivo senão chantagear a vontade do povo grego", disse. 

Tsipras assegurou que os depósitos dos gregos estão "completamente garantidos" e que as pensões e salários serão pagos. O primeiro-ministro grego informou também que voltou a fazer um pedido de extensão do atual programa de resgate aos parceiros europeus.  

O líder do Syriza terminou a sua declaração citando o antigo Presidente norte-americano Franklin D. Roosevelt: "A única coisa que temos a temer é o próprio medo."

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