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Começou corrida ao "multibanco" na Grécia

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FOTO VLADIMIR RYS/GETTY IMAGES

Logo que o gregos ouviram o primeiro-ministro anunciar na televisão um referendo sobre as propostas dos credores oficiais, saíram para a rua em mais uma corrida às caixas automáticas para levantar dinheiro vivo

Jorge Nascimento Rodrigues

As redes sociais foram inundadas com imagens de filas de gregos em frente de caixas automáticas para levantarem dinheiro vivo durante esta madrugada de sábado.

Após o anúncio televisivo da convocação de um referendo para 5 de julho sobre as propostas dos credores pelo primeiro-ministro Alexis Tsipras, os gregos saíram à rua para repetir mais um episódio na corrida aos bancos que já sangrou a banca local em mais de 38 mil milhões de euros desde dezembro passado.

Alguns bancos já haviam avisado que limitariam as operações este fim de semana. As transferências imediatas não estarão disponíveis, por exemplo no Alpha Bank que já tinha avisado os clientes, mesmo antes da comunicação de Tsipras. No fim-de-semana anterior, os gregos levantaram 400 milhões de euros nos "multibancos". A experiência dos cipriotas, que foram surpreendidos com controlo de capitais e "corte de cabelo" (hair cut) nos seus ativos bancários da noite para o dia em março de 2013, ficou registada como lição na memória dos gregos.

A convocação pelo Banco Central Europeu (BCE) de uma teleconferência para domingo colocou na agenda a questão da situação da banca grega na próxima segunda-feira, depois de Tsipras convocar um referendo e da reunião do Eurogrupo convocada para este sábado provavelmente aprofundar o impasse com o governo grego a rejeitar a última proposta dos credores oficiais.

Este sábado uma delegação de alto nível do governo grego reunir-se-á com Mario Draghi, o presidente do BCE.

O cenário de um "corralito" grego tem sido colocado por muitos analistas em virtude do aprofundar da crise bancária. A iminência de uma decisão impondo o controlo de capitais a partir de segunda-feira foi prontamente negada por Euclid Tsakalotos, ministro-adjunto para as Relações Económicas Internacionais e coordenador da equipa de negociadores gregos com os credores oficiais.

Os depositantes gregos correm aos bancos como medida preventiva a um feriado bancário e imposição de medidas de controlo de capitais, ao contrário do otimismo cauteloso dos investidores na dívida soberana da zona euro.