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Novos donos, rotas novas para a TAP: o que Neeleman anunciou para o Brasil e EUA

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RAFAEL MARCHANTE / Reuters

Empresário anuncia e desvenda novas destinos, mas também revela para onde não será possível voar no imediato - China, “porque as empresas que estão a voar para lá estão a ter muitos problemas”

O empresário David Neeleman, que assinou esta quarta-feira um contrato para a compra de 61% das ações do grupo TAP, detalhou algumas das novas dez rotas que quer criar para os Estados Unidos e que incluem Washington, Boston, e Chicago. 

Na conferência de imprensa de apresentação do plano estratégico do consórcio Gateway, que integra igualmente o dono da portuguesa Barraqueiro, Humberto Pedrosa, o americano e brasileiro garantiu que a TAP vai conseguir fazer dez novas rotas para os Estados Unidos, "o maior mercado do mundo", contra as duas que detém atualmente.

Neeleman conta ainda fazer entre oito a dez novas rotas para o Brasil, salientando que a TAP recebe 26% dos passageiros provenientes do maior país sul-americano com destino à Europa. Defendeu que a ambição da companhia é aumentar essa quota, assim como manter a ligação com África e com todas os países onde se fala a língua portuguesa.

E sublinhou a este propósito: "Quando o Governo português disse que teríamos que manter o 'hub' em Lisboa por 30 anos, eu pensei que podia ser até 100 anos. A capital portuguesa é a porta de entrada na Europa". 

David Neeleman disse também ter concordado de imediato com a exigência do Executivo português de o novo dono da TAP não poder avançar com despedimentos: "Como baixar custos sem despedimentos? É fácil. Baixa-se através do crescimento e da eficiência", sinalizou. 

O também dono da companhia aérea brasileira Azul adiantou que vão ser adquiridas 53 aeronaves, 14 Airbus 330-900 NEO e 39 Airbus A320 ou A321, aparelhos que considera mais baratos e eficientes para viagens de longo curso.

Afastou, no entanto, qualquer possibilidade de voar para a China, pelo menos para já. "As empresas que estão a voar para lá estão a ter muitos problemas", justificou. "Queremos fazer um lado do mundo para ganhar dinheiro, não estamos aqui para queimar dinheiro".

Neeleman adiantou ainda que vai ser feita a reconfiguração das cabinas dos A330-200 em uso atualmente na TAP, a fim de melhorar o conforto dos passageiros.

Antes de Neeleman falou o seu sócio português no consórcio que hoje formalizou o acordo de compra de 61% da companhia aérea. Humberto Pedrosa reiterou que a Gateway quer transformar a TAP na "melhor companhia da Europa", salientando alguns compromissos estratégicos assumidos com o Governo português, nomeadamente: rejuvenescer e fortalecer a marca TAP, manter a sede corporativa da companhia em Portugal e o 'hub' em Lisboa.