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É oficial: Espírito Santo Hotéis está insolvente

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Ana Baião

Recuperação da empresa do Grupo Espírito Santo que controlava a rede de hotéis Tivoli falhou. Montepio é o maior credor e tem a receber 60 milhões de euros

A Espírito Santo Hotéis foi declarada insolvente esta segunda-feira pelo Tribunal da Comarca de Lisboa, numa decisão que abre agora um período de 30 dias para que os credores reclamem as dívidas, de forma a que o administrador da insolvência possa traçar o plano possível para reembolsar os montantes reclamados.   

Liderada por Caetano Beirão da Veiga, a Espírito Santo Hotéis é a "holding" que controlava a rede de hotéis Tivoli, que no âmbito do seu próprio plano de revitalização foi vendida ao grupo tailandês Minor. Em paralelo com o processo de revitalização da Hotéis Tivoli SA decorreu um processo de recuperação da "holding" Espírito Santo Hotéis, que acabou agora por ser chumbado.   

O maior credor da Espírito Santo Hotéis é o banco Montepio, que, segundo a lista de credores publicada em 27 de fevereiro deste ano, tem a receber 60 milhões de euros relativos a um investimento em papel comercial desta empresa do universo Espírito Santo. No entanto, o montante em causa foi classificado como não garantido pelo administrador do processo especial de revitalização.  

O Montepio chegou, neste processo, a reclamar a retenção dos títulos da Hotéis Tivoli SA, que pertenciam à Rioforte, braço não financeiro do grupo Espírito Santo. Mas o administrador da revitalização da Espírito Santo Hotéis concluiu que "não estão verificados os pressupostos para classificar como garantido o crédito [reclamado pelo Montepio]".   

A lista de credores apontava para um volume global de dívidas da Espírito Santo Hotéis de 106 milhões de euros, dos quais 5 milhões de euros concedidos pelo BPI à Hotéis Tivoli SA, 32,8 milhões de euros de empréstimos da Rioforte e 7,9 milhões de empréstimos da empresa Tivoli Gare do Oriente, além dos 60 milhões reclamados pelo Montepio.  

No processo paralelo de revitalização da Hotéis Tivoli SA, esta empresa foi alvo, em fevereiro deste ano, de reclamações de créditos no montante total de 176 milhões de euros. Desse total, 41,1 milhões de euros eram reclamados pela agora insolvente Espírito Santo Hotéis. 

Agora, no âmbito da insolvência da Espírito Santo Hotéis, depois de reclamados os créditos (até ao final de julho), será realizada a 8 de setembro uma assembleia de credores tendo em vista a apreciação de um relatório do administrador da insolvência, que conduzirá a um plano para pagar os créditos, proceder à liquidação da massa insolvente e à sua repartição pelos respetivos titulares.  

O plano de insolvência poderá ser apresentado não só pelo administrador judicial mas também pelo devedor ou qualquer credor ou grupo de credores que representem um quinto do total dos créditos não subordinados.