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Pires de Lima em operação de charme em Luanda

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Pires de Lima sabe bem os entraves que as empresas portuguesas sofrem com os projetos fabris em Angola

PAULO CUNHA / LUSA

O ministro da Economia está em Angola para olear as relações comerciais e os investimentos entre os dois países

O ministro da Economia António Pires de Lima está em Luanda para uma visita oficial de dois dias. Uma operação de charme que incluirá uma a assinatura, com o governo angolano, da criação do observatório dos investimentos angolanos em Portugal e portugueses em Angola.

E qual a função do observatório? Acompanhar "os processos de análise de candidaturas de investimento, identificar obstáculos e selecionar vias ou instrumentos para ultrapassar os constrangimentos", dizem os promotores. O observatório reunir-se-á pela primeira vez em Luanda já esta terça-feira, o dia da sua constituição.

Pires de Lima sabe bem os entraves que as empresas portuguesas sofrem com os projetos fabris em Angola. Quando foi presidente da cervejeira Unicer, o projeto de uma base naquele país andou mais devagar do que o passo de um caracol. Na altura, o empresário bem se insurgiu contra tal morosidade. Oito anos depois de ser lançado, esse projeto da Unicer está ainda por realizar.

Já os investimentos angolanos em Portugal não sofrem desta morosidade. Porque sendo de base financeira não enfrentam o circuito de aprovações e licenças, como sucede quando se trata de um projeto fabril, lançado de raiz.

Exportações em queda
A criação do observatório insere-se no programa do primeiro Fórum Empresarial Angola-Portugal, que, segundo o ministério da Economia angolano é uma  iniciativa para "promover as oportunidades de negócios num e noutro país", e apelando "ao estabelecimento e aprofundamento de parcerias entre empresas angolanas e portuguesas". Este terça-feira, o fórum vai reunir em Luanda 400 empresários dos dois países para discutir investimentos comuns em Angola e Portugal.

Mais de 8000 empresas de Portugal exportam atualmente para Angola e  duas mil sociedades  angolanas, são participadas por capital português.

O comércio externo entre os dois países já conheceu melhores dias. As exportações portuguesas para Angola estão, em 2015, em queda superior a 20%. Angola perdeu para os Estados Unidos o título de maior mercado externo, fora da União Europeia. E, em Angola, Portugal foi destronado pela China como primeiro fornecedor.

Um sinal da crise angolana: As receitas fiscais  com a exportação de petróleo caíram 54% em maio, face ao mesmo mês de 2014, apesar de o volume até ter aumentado em mais de sete milhões de barris. A receita foi de 92 mil milhões de kwanzas (674 milhões de euros). Em maio de 2014, tinham sido de 198 mil milhões de kwanzas (1,4 mil milhões de euros).

 Angola exportou em maio cada barril de petróleo a 57,74 dólares (50,8 euros). Há um ano o valor era de 106,15 dólares (93,4 euros).