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Gregos retiram €1,8 mil milhões dos bancos

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ALKIS KONSTANTINIDIS / Reuters

Com a reunião do Eurogrupo a adiar decisão e a cimeira do euro reduzida a encontro consultivo, os depositantes gregos souberam esta segunda-feira que controlo de capitais foi discutido pelos ministros das Finanças e um banqueiro avisa que os bancos podem não abrir esta terça-feira

Jorge Nascimento Rodrigues

Os gregos retiraram esta segunda-feira dos bancos 1,5 a 1,8 mil milhões de euros, segundo o site Keeping Talking Greece. Um novo recorde diário. Depois de uma sangria de 5 mil milhões de euros na semana passada e de 400 milhões retirados no fim de semana das caixas automáticas, o pânico bancário prossegue a sua marcha.

A reunião do Eurogrupo decidiu adiar mais uma vez qualquer decisão, ainda que o ministro das Finanças alemão tenha declarado que “conta” com um acordo ainda esta semana e o comunicado fala de “passos positivos no processo”. A chanceler Angela Merkel, por seu lado, reduzira a cimeira do euro, que se iniciou entretanto, a um encontro “consultivo”.

Na BBC, o banqueiro Nikolaos Karamouzis, presidente do Eurobank, avisou que, sem sinal de acordo entre governo de Atenas e credores oficiais, é bem real o risco de os bancos helénicos poderem não conseguir abrir portas esta terça-feira nem abastecerem as caixas automáticas.

Finalmente, o ministro das Finanças belga rompeu o silêncio sobre temas como o controlo de capitais para admitir que o assunto foi discutido no Eurogrupo, que estaria dividido sobre o assunto. “Houve, de facto, opiniões diferentes. Nem toda a gente esteve na mesma onda em relação ao controlo de capitais”, disse Johan Van Overtveldt. Questionado se a sua revelação queria dizer que alguns participantes argumentaram claramente a favor dessa solução e outros contra, o ministro belga respondeu: “Pode dizer-se que foi isso mais ou menos”.

PAUL HANNA / Reuters

Segundo o “Financial Times”, o ministro alemão Wolfgang Schäuble e o ministro irlandês Michael Noonan defenderam no Eurogrupo desta segunda-feira restrições na linha de liquidez de emergência – uma medida que é tomada pelo BCE - se medidas de controlo de capitais não forem adotadas.

Para segurar a banca grega, o Banco Central Europeu (BCE) decidiu esta segunda-feira aumentar, uma vez mais, o teto da linha de liquidez de emergência a que o sistema financeiro helénico pode recorrer junto do Banco Central grego. A subida foi de 2 mil milhões de euros, aumentando a linha para 87,8 mil milhões de euros, o equivalente a quase 50% do PIB do país. Mas a decisão só é válida para esta segunda-feira.

Segundo os despachos mais recentes, não se espera uma declaração final da cimeira “consultiva” dos líderes da zona euro.

Vários analistas sublinham que há o risco de a crise bancária mudar a sua natureza de um problema de liquidez (que o BCE tem minorado) para uma situação de insolvência.

O BCE volta a reunir-se esta terça-feira, sem acordo entre gregos e credores oficiais, mas com a promessa do processo chegar a bom porto ainda esta semana, e com a discussão de controlo de capitais ou fecho da torneira da ELA na praça pública.