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BCE aumenta liquidez para banca grega. Mais €2 mil milhões

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REUTERS

A equipa de Mario Draghi volta a reunir-se dentro de 24 horas, já depois da cimeira de líderes da zona euro

Jorge Nascimento Rodrigues

A equipa de Mario Draghi decidiu aumentar esta segunda-feira em 2 mil milhões de euros a linha de emergência de liquidez (conhecida pela sigla em inglês ELA) a que podem recorrer os bancos gregos junto do Banco Central do país, segundo Peter Spiegel, correspondente do “Financial Times”.  O presidente do Banco Central Europeu (BCE) reúne-se com o primeiro-ministro helénico Alexis Tsipras pelas 17h.

Segundo o analista Yannis Koutsomitis, o BCE subiu o teto desta linha para 87,8 mil milhões de euros, depois de, na semana passada, ter aumentado a linha em 3 mil milhões de euros em duas reuniões espaçadas por 48 horas. O BCE marcou nova reunião para amanhã, já com base nas decisões das reuniões desta segunda-feira, do Eurogrupo (que está já em reunião) e da cimeira do euro ao final da tarde.

O objetivo do BCE é evitar um pânico bancário e uma crise grave do sistema financeiro grego, passando de uma situação de falta de liquidez para uma de insolvência, face ao impasse na obtenção de um acordo entre o governo grego e os credores oficiais.

A decisão do BCE foi tomada esta segunda-feira por teleconferência face a uma fuga de depósitos recorde na semana passada de 5 mil milhões de euros e diante de pedidos antecipados para esta segunda-feira de levantamento de depósitos de mais mil milhões de euros. Durante o fim-de-semana foram levantados 400 milhões de euros nas caixas automáticas.

Os mercados de capitais abriram numa onda positiva na expetativa de um acordo possível no decurso desta segunda-feira, mas uma barragem de declarações de ministros das Finanças da zona euro, à entrada para a reunião do Eurogrupo, liquidaram o otimismo, a começar pelo ministro alemão, e faziam antever o desfecho de mais um adiamento. 

Cimeira consultiva e risco de fecho dos bancos na terça-feira
O ministro das Finanças irlandês já referiu a possibilidade de novo Eurogrupo na quinta-feira e alguns analistas apontam para novo limite para um acordo na cimeira europeia (de toda a União Europeia) de 25 e 26 de junho. A expetativa centra-se, agora, na cimeira do euro ao final da tarde, com analistas a referir que o objetivo não é (nunca foi) obter um acordo, mas "discutir abertamente sobre a Grécia". Na ausência de luz verde dos técnicos dos credores oficiais e de acordo no Eurogrupo, a cimeira não passará de um encontro "consultivo" disse esta manhã a chanceler Angela Merkel.

Nikolaos Karamouzis, presidente do Eurobank (o quarto maior banco do país), deixou um aviso em entrevista à BBC: há o risco de os bancos gregos fecharem as portas na terça-feira e suspenderem a possibilidade de levantamentos nas caixas automáticas, se o sinal dado esta segunda-feira for negativo.