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Primeiro avião novo da TAP 
é um A330 e chega em 2017

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FOTO D.R.

Até à entrada dos novos aviões, o consórcio Gateway investirá €50 milhões na renovação das cabines da frota atual. Humberto Pedrosa acredita no relançamento da TAP

Do conjunto dos novos aviões que o consórcio Gateway contratou para a TAP, o primeiro a chegar será um Airbus A330neo e estará operacional no quarto trimestre de 2017, sabe o Expresso. A frota da TAP será reforçada com mais A330neo, mas o principal grupo de aviões encomendados pelo consórcio Gateway será composto pelos novos A321neo, na versão Long Range. Será este o tipo de avião que poderá assegurar a maior parte das suas rotas, nos voos entre Lisboa e Nova Iorque ou Boston e também para o Nordeste brasileiro. Até à entrada do primeiro dos novos aviões — ao todo serão 53 — os novos donos da TAP pretendem acelerar o investimento na renovação do interior dos aviões da atual frota, para o que vão canalizar imediatamente €50 milhões.

Confrontado com este plano, o sócio maioritário do consórcio, Humberto Pedrosa, não comenta, invocando o acordo de confidencialidade assumido com o seu sócio David Neeleman. Mas esclarece que na próxima semana, a 24 de junho, quando assinarem os contratos prévios com o Estado, pagando um sinal de €2 milhões, “os principais detalhes do plano de investimento serão divulgados. Vamos explicar como pretendemos relançar a credibilidade e a imagem da TAP e aumentar as suas rotas”, diz.

Humberto Pedrosa 
vai na 6ª privatização

O dono da Barraqueiro nega as acusações de que a sua participação apenas tem como objetivo contornar a obrigação legal de a TAP ser comprada por uma maioria de capital europeu — Pedrosa tem 50,1% do consórcio e o sócio americano David Neeleman os restantes 49,9% —, afastando o cenário de mais tarde acabar por vender esta posição.

“Será a sexta privatização na minha vida e — tal como as restantes — será uma empresa para desenvolver e fazer crescer”, afirma. 

“Nunca vendo empresas — todas as rodoviárias que comprei em privatizações, designadamente a do Algarve, do Alentejo, da Estremadura, do Tejo e de Lisboa, continuam no meu grupo, assim como fiz com todas as minhas restantes empresas”, garante.

Com 67 anos, o empresário conta com o apoio dos filhos David e Artur — “ambos trabalham comigo no grupo”, diz. “Mas, para a TAP, vou constituir uma equipa de gestão muito especializada, reconhecida no sector, que dê garantias de que os objetivos de crescimento serão atingidos”.

“A TAP viveu décadas com uma forte imagem de qualidade e  merece um relançamento sólido. Mas para mim, também faz todo o sentido por outra razão: estou a internacionalizar o meu grupo”, explica. Humberto Pedrosa entrou recentemente no Brasil no sector dos transportes em Fortaleza e Manaus. Ainda quer dinamizar o transporte de combustíveis em Angola. E tem projetos em desenvolvimento em Moçambique. “Também queremos dinamizar o crescimento ibérico, mas continua a ser difícil entrar em Espanha porque é um mercado muito protegido”, comenta.

Diz que já tem tudo a postos para entrar na empresa e que a associação a David Neeleman “tem tudo para dar certo”. Na fase inicial, a TAP já contará com o apoio dos aviões disponíveis na Azul, que vão complementar a sua operação na época alta do verão, e no inverno os aviões disponíveis da TAP poderão complementar a atividade da Azul na época alta brasileira de janeiro e fevereiro.

Pinto assegura transição

A renovação do interior das cabines dos aviões é uma das decisões urgentes para o consórcio Gateway. Mas a transição será assegurada por Fernando Pinto, que confirmou ao Expresso o seu empenho em garantir a passagem do testemunho para o novo acionista privado. “Tudo será concretizado com tranquilidade”, diz.

Fernando Pinto considera que “a associação de David Neeleman e Humberto Pedrosa assegura à TAP uma base acionista sólida, composta por empresários que conhecem bem o sector dos transportes”. “Acho importante participar na fase de transição e vou fazer tudo para relançar a companhia em função dos objetivos e das capacidades do novo acionista”, garantiu o gestor.

Humberto Pedrosa também já tinha dito ao Expresso que gostaria que Fernando Pinto continuasse na TAP. O gestor brasileiro considera que “a manifestação dessa intenção por parte de Humberto Pedrosa dá conforto” e, por isso, “terá de pensar no que será o projeto da TAP para a fase posterior à transição”, mas refere que “ainda é prematuro dizer muito mais que isto”.

Quanto à proposta técnica da Gateway, um dos objetivos dos novos acionistas é operar com aviões mais eficientes, que rentabilizem as operações, gastando menos combustível. Mais de metade dos 53 aviões que vão entrar na TAP serão do novo modelo A321neo Long Range, que servirá para operar 90% das rotas da TAP. O maior volume de entregas destes aviões ocorrerá durante 2018. A poupança de consumo será significativa, atendendo a que, numa viagem transatlântica (por exemplo Lisboa-Nova Iorque), enquanto um A350 consome 38,1 mil dólares de combustível, o A321neo gasta 16,6 mil dólares.