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Portugal tem 42 centros de coworking

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Carlos Gonçalves lançou o livro “Out of the Office”, sobre trabalho flexível

José Caria

A crise estimulou o negócio do trabalho flexível

Jorge A. Ferreira

Trabalhar em esplanadas ou em halls de hotéis, marcar ou mesmo fazer reuniões numa estação de serviço de autoestrada, em estações de comboio ou nos aeroportos, partilhar um espaço de trabalho em zonas centrais com outros empresários em início de carreira são opções cada vez mais habituais entre quem usa escritórios virtuais ou apenas quer rentabilizar o tempo das deslocações. A procura do coworking, especificamente, com preços mais acessíveis e alugueres de curta duração que fornecem os mesmos serviços de qualquer escritório convencional, tem aumentado de tal maneira que, noutros países, já inspirou a exploração de nichos: espaços de trabalho partilhados só para advogados ou só para mulheres são apenas alguns dos peculiares exemplos (ver caixa).

Esta rápida difusão, porém, não se verifica em todo o mundo e muito menos em Portugal, sobretudo no que ao coworking diz respeito. Uma realidade confirmada por Carlos Gonçalves, autor do livro “Out of the Office — Love Where You Work”, uma obra recentemente editada em inglês no formato eBook que atualiza e acrescenta casos e tendências nesta área em relação à edição portuguesa de 2013 (em coautoria).

“O objetivo deste livro é também esse: despertar a atenção das empresas nacionais para estes novos modelos de trabalho que podem fazer todo o sentido numa ótica de racionalização de custos e até mesmo de aumento da produtividade dos colaboradores (inclusivamente com benefícios para o equilíbrio entre trabalho e vida pessoal), seja numa empresa pequena ou numa multinacional”, destaca o autor, igualmente diretor-geral do Avila Business Center (ABC), situado na zona do Saldanha, no centro de Lisboa, que acolhe estas formas de trabalho flexíveis, mas também escritórios convencionais. “Penso que o escritório do futuro resulta da combinação destes diferentes modelos de trabalho”, justifica.

Apesar de os 20 postos de trabalho em regime coworking disponíveis no ABC estarem “todos ocupados” e de haver uma “procura quase diária de empresas e profissionais liberais”, Carlos Gonçalves reconhece que a “evolução é lenta”, muito mais do que a componente de escritórios virtuais (lançada em 2004), a qual “tem tido crescimentos de 20% ao ano”.

“Apesar de as novas gerações estarem muito abertas ao coworking, o tecido empresarial português ainda tem uma visão muito tradicional dos espaços de trabalho”, analisa o nosso interlocutor, apontando atavismos para este menor dinamismo: “Ainda há aquela coisa muito portuguesa — que eu acredito que se vá esbatendo com o tempo — do ‘eu não vou estar a discutir este caso à frente de outros porque me vão roubar o cliente’.” Para quebrar estas barreiras, “têm de surgir alguns exemplos sonantes de sucesso que marquem e abram caminho”, considera o autor.

42 centros de coworking

Num estudo elaborado pela Deskwanted.com, no início de 2013, Portugal surge com um total de 42 espaços de coworking, quase entrando no top 10 (ficou em 12º) de nações com mais espaços deste género, num total de 80 países.

“A partir do momento em que temos espaços de coworking orientados para as indústrias criativas, como o coworking no Lx Factory, quando temos o Ávila Business Center, mais corporativo, e quando temos, ainda, incubadoras que, num espírito diferente, também têm algum sucesso, isso mostra que estamos no caminho certo, porque não há dúvida de que o paradigma dos espaços de trabalho está a mudar”, faz notar o autor, cuja mais recente obra inclui uma série de casos bem-sucedidos a nível internacional. “É um tema que está na ordem do dia, porque as empresas procuram, cada vez mais, otimizar os custos para estarem focadas no seu core business, e o espaço de trabalho é algo que não pode representar um custo muito grande”, reforça Carlos Gonçalves.

Pelo menos, o eOffice, o primeiro centro de coworking a surgir na Europa, aponta para esse cenário. Criado em 2002, na Inglaterra, o projeto não parou de crescer e já conta com cinco centros de escritórios em Londres.“O que diz bem do aumento da procura destes modelos.”