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Chineses da Fosun querem abrir outro Club Med em Portugal

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"Queremos que a classe média chinesa passe as férias nos nossos resorts, veja os nossos espetáculos e use os nossos seguros e hospitais", diz o líder da Fosun, Guo Guangchang (à esq.), aqui acompanhado pelo seu diretor-executivo

BOBBY YIP / Reuters

Fidelidade está à procura de um resort para abrir outro Club Med. E tenciona expandir o hospital da Luz

Os investidores chineses que em Portugal têm 85% da seguradora Fidelidade e 100% da Luz Saúde estão à procura de um local para abrir um segundo Club Med.

O modelo de negócio está ainda a ser desenhado, mas uma das possibilidades é ser a Fidelidade a comprar um resort e alugar este ativo ao Club Med (também da propriedade da Fosun), esclareceu em Xangai, o presidente do grupo Fosun, Liang Xinjun.

A Fosun quer potenciar a rentabilidade do investimento feito no Club Med, que já tem cerca de 60 resorts em vários países. Portugal está na rota deste tipo de sinergias, até pelo facto de ser um dos destinos turísticos dos chineses e do sucesso dos vistos Gold.

O líder e maior acionista do grupo chinês, Guo Guangchang, quer que os chineses da classe média sejam mais felizes. "Queremos que a classe média chinesa passe as férias nos nossos resorts, veja os nossos espetáculos e use os nossos seguros e hospitais", afirmou num evento que decorreu em Xangai, na semana passada, para formalizar a compra de 25% do Cirque du Soleil, em parceria com os norte-americanos TPG que detêm 55%.

O líder da Fosun está a falar para cerca de 300 milhões de chineses que já pertencem à classe média e que num futuro próximo ascenderão a 500 milhões. A classe média na China está a crescer a um ritmo muito rápido e a expansão e internacionalização da Fosun passa também por acompanhar essa ascensão.

Serem conhecidos como o grupo da "Saúde e da Felicidade" é a aposta de uma nova era que o grupo quer consolidar na China, Europa e América.

Novo Banco na calha
Além dos investimentos mais recentes no entretenimento e turismo, a aposta da Fosun na China começou por ser em ativos financeiros, seguros e na indústria farmacêutica, assim como no imobiliário.

Um dos maiores conglomerados mistos privados da China, a Fosun está também na corrida ao Novo Banco. Mas sobre este assunto, fonte da Fosun apenas diz: "Não vamos comentar nenhum projeto específico. Estamos empenhados em construir um grupo financeiro global orientado para os seguros, gestão de ativos e banca. É esse um dos nossos motores de atividade".

A integração dos vários negócios e as sinergias que destes podem decorrer é a estratégia internacional da expansão do grupo criado em 1992. E, essa integração é feita quer através de sinergias em atividades financeiras quer não financeiras.

Luz Saúde é para crescer, mas hospital em Angola não é para já
Em Portugal, os investimentos na Fidelidade e na Luz Saúde são para avançar ao ritmo previsto embora com cautelas. Na área da saúde, a ordem é para expandir a oferta ao nível dos cuidados de saúde, urgências e camas, afirma Jonh Ma, um dos responsáveis da Fosun para esta área que acompanha a operação em Portugal.

Jonh Ma vem a Portugal frequentemente (oito vezes desde o final de 2014) e garante que a Luz Saúde, comprada através da Fidelidade, vai continuar a crescer e que o Hospital da Luz será alargado como estava previsto.

Este responsável elogia a gestora da Luz Saúde Isabel Vaz e o líder da Fidelidade Jorge Magalhães Correia. "Queremos exportar alguns conhecimentos", diz referindo-se ao facto de a Luz Saúde ter um sistema informático de controlo de doentes que considera muito bom.

Já quanto à construção de um hospital em Angola, o mesmo responsável afirma que a operação está a ser pensada, juntamente com o líder da Fidelidade em Portugal,  mas não será para avançar no curto prazo. " Primeiro teremos de rentabilizar e expandir o negócio em Portugal". Até porque por via da Fidelidade, que detém uma seguradora em Angola, a Universal Seguros, a Luz Saúde já presta muitos cuidados de saúde a angolanos.

Fidelidade desenvolve presença em Moçambique
Foi a compra da Fidelidade que deu visibilidade à Fosun e o mesmo deverá acontecer na expansão que o grupo chinês desenhou para este negócio, quer na Europa, quer na América do Sul. A Fidelidade estava a negociar a compra da maior seguradora chilena, Penta Security, que perdeu para a Liberty Seguros, mas as oportunidades de negócio continuam a ser estudadas.

O diretor-executivo da Fosun para a área dos seguros, Raymond Hu, que acompanhou o processo de compra da Fidelidade, referiu que em breve a Fidelidade vai desenvolver o negócio através das sucursais que já tem em Moçambique e está a estudar fazer o mesmo em Cabo Verde.

Quanto à seguradora em Angola, os prémios estão a crescer e o mercado é promissor, referiu.

Fosun quer abrir capital de duas seguradoras
"A Fidelidade vai ser uma das maiores companhias de seguros da Europa entre dois a três anos", explica por seu lado o presidente-executivo da Fosun, Liang Xinjun.

"A nossa estratégia é investir em Portugal, consolidar as operações e depois investir na Europa" nos seguros e banca. Apesar de não se referir concretamente à Fidelidade, o responsável da Fosun referiu que existe um plano para abrir o capital de duas companhias.

A Fosun quer que o braço financeiro dos seguros na Europa, África e América do Sul no grupo cresça através da Fidelidade. Os seguros são um dos motores do negócio do grupo chinês e a operação em Portugal tem potenciado algumas sinergias entre o grupo.

Liang Xinjun esclarece que a Fidelidade registou um cresimento de volume de prémios de 15% de 2013 para 2014 e que a Fosun tem permitido à Fidelidade através da diversificação de investimentos em ativos do grupo uma boa rentabilidade.

Explica também que o investimento de 1000 milhões de euros em obrigações de uma das sociedades do grupo tem um cupão de retorno interessante para a seguradora e que era preciso diversificar os investimentos. Além disso afirmou que estas operações não comportam riscos e estão soba supervisão das autoridades competentes europeias.

O Expresso já havia noticiado este investimento na edição de 6 de junho, a qual foi confirmada por fonte da Fidelidade. O presidente-executivo da Fosun refere ainda que a Fidelidade investiu em três edifícios, dois no Japão e outro na Austrália, que têm permitido um bom retorno à companhia.

E quanto ao endividamento do grupo esclareceu que "mais de metade da dívida do grupo - no total cerca de 16 mil milhões de dólares - é de longo prazo e desta 9,3 mil milhões são de liquidez quase imediata", sublinhando que os ativos totais ascendem a 55 mil milhões de dólares e os depósitos a cerca de 6,6 mil milhões de dólares.

Confrontado com o facto da dívida ser grande, diz que a Fosun sabe "muito bem o que quer fazer no mercado e que isso não passa por correr muitos riscos". Liang Xinjun é um dos homens fortes do grupo é um dos braços-direitos de Guo Guangchang.

* O Expresso viajou a convite da Fosun