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Públicas ou privadas: jovens sonham com um emprego na TAP e na RTP

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O clima de incerteza em torno da empresa não afetou a imagem da TAP junto dos jovens portugueses, que continuam a apontar a transportadora como uma empresa de sonho para trabalhar

PATRICIA DE MELO MOREIRA / AFP / Getty Images

O que têm em comum a TAP e a RTP, além das intenções de privatização do Governo? Estão ambas, à margem de todas as polémicas que as têm envolvido, entre as empresas favoritas dos jovens portugueses para trabalhar

Catia Mateus

Catia Mateus

Jornalista

Não superam a Google enquanto empregador de sonho, mas em algumas profissões estão muito perto disso. Seja na gestão, na engenharia, nas tecnologias de informação (TI), nas humanidades ou no Direito, a TAP e a RTP são apontadas pelos estudantes universitários portugueses como os empregadores mais atrativos do ano, e aqueles que escolheriam para trabalhar. As conclusões são avançadas pelo estudo “Most Attractive Employers” (empregadores mais atrativos), elaborado à escala europeia pela consultora Universum, a que o Expresso teve acesso em exclusivo. Os dados para Portugal demonstram que nem os momentos conturbados vividos em ambas as empresas, associados à sua privatização, a possíveis cortes de estrutura e reestruturação, parecem ter mudado a sua reputação junto dos portugueses que se preparam para entrar no mercado de trabalho. João Araújo, country manager da Universum em Portugal, justifica as conclusões com a questão das “prioridades”. E as dos jovens portugueses, assegura o responsável, são diferentes das dos europeus. 

“Portugal é o único país onde a componente da ‘boa referência para uma carreira futura’ é elencada em primeiro lugar pelos jovens, seja qual for a sua área de formação”, explica o líder da consultora, enfatizando que em ambos os casos, o valor das marcas e a sua reputação histórica são encaradas pelos jovens como portas de entrada relevantes no mercado e potenciais passaportes para desafios de carreira aliciantes no futuro. 

Estes não são os únicos fatores a pesar na escolha dos jovens portugueses, no que toca a selecionar os seus empregadores de sonho. Há outras razões que levam, por exemplo um aluno de humanidades a apontar a RTP e a TAP como o segundo e terceiro empregador mais atrativo, respetivamente, logo a seguir à Google. Um cenário que é semelhante noutras áreas de formação, mesmo as mais ligadas às tecnologias. Os alunos portugueses de gestão colocam a TAP na quinta posição na sua lista de escolhas de carreira, valorizando mais um lugar na transportadora do que, por exemplo, uma carreira em qualquer uma das consultoras a operar em Portugal. A PwC e Deloitte, as duas consultoras melhor posicionadas na avaliação dos estudantes de gestão, surgem apenas na 11ª e 12ª posições do ranking nacional.  

Na área das TI, a RTP não é uma escolha para os alunos, mas a TAP figura na quarta posição da tabela e até entre os alunos de Direito, as empresas são apontadas como empregadores de sonho. A transportadora figura na quarta posição, a estação pública de televisão na oitava. Ambas as empresas só registam menos adeptos entre os estudantes da área das Ciências e da Saúde, mas ainda assim figuram como opção de carreira. Para os alunos de Ciências, a TAP é a 18ª na linha de opções e a RTP a 28ª. Na área da Saúde, a transportadora ocupa a 14ª posição e a RTP a 21ª.

Prestígio e liderança
Muitos fatores distinguem os estudantes portugueses dos europeus em matéria de opções carreira e prioridades profissionais. Uma diferença que segundo João Araújo justifica estas escolhas. “Além de valorizarem muito o facto de uma empresa poder ser uma boa referência para uma carreira futura, os jovens portugueses procuram organizações que permitam um bom equilíbrio entre a vida pessoal e profissional, valorizam as possibilidades reais de alcançar funções de chefia e liderança num curto médio prazo e não colocam grande ênfase nas questões da estabilidade e do emprego seguro, que só é relevante para os alunos de TI”, explica João Araújo. Um posicionamento que não é partilhado pelos jovens da generalidade dos países europeus onde “os jovens não anseiam de forma evidente alcançar posições de chefia ou liderança”.  

O estudo da Universum foi conduzido junto de 7000 estudantes do ensino superior de várias áreas, através de um inquérito online aplicado entre janeiro e maio deste ano, a nível europeu. Numa primeira fase, os estudantes foram chamados a identificar 20 empresas de sonho para trabalhar e, numa segunda fase, elencar quatro dessas empresas como as preferenciais, justificando a sua escolha com base num conjunto de 40 características. Para a escola da TAP terão contribuído, segundo o líder da consultora, fatores como “a boa referência para a carreira futura, o alto nível de responsabilidade que as funções exigem, o prestígio da empresa e a possibilidade de interação com os colegas e os clientes que a função possibilita”. Já no caso da RTP, foi a vocação de responsabilidade social que falou mais alto na escolha dos alunos que destacaram também como justificação para abraçar uma carreira no canal “o trabalho desafiante, o ambiente de trabalho criativo e dinâmico da empresa e a boa referência que esta constitui para uma carreira futura”, explica João Araújo.