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Preso brasileiro da Oi, antigo administrador da PT

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Notícia é avançada pela imprensa brasileira. Otávio Azevedo é presidente do conselho de administração da Andrade Gutierrez: esta empresa é uma das principais acionistas da Oi, que por sua vez, na altura da fusão, mandava na PT

D.R.

Otávio Azevedo foi um dos representantes da Oi na PT SGPS, e uma das vozes brasileiras mais ativas na gestão da relação entre o operador histórico português e a empresa brasileira. Saiu do conselho de administração da PT SGPS em julho de 2015, depois de conhecido o investimento na Rioforte. A detenção hoje de Otávio Azevedo, um dos homens mais poderosos do Brasil, e presidente da Andrade Gutierrez, está relacionada com a operação Lava-Jato, o caso de corrupção envolvendo a Petrobrás e construtoras brasileiras.

A polícia federal brasileira avançou hoje com a 14ª fase da operação Lava-Jato, detendo os presidentes das construtoras Andrade Gutierrez e da Odebrecht, Marcelo Odebrecht. Em Portugal, a gigante Odebrecht é detentora da construtora Bento Pedroso. Marcelo Odebrecht é o dono da construtora, e faz parte da terceira geração que dá nome à construtora.

Otávio Azevedo, diz a Valor Econômico, foi apontado pelo ex-diretor de abastecimentos da Petrobras, Paulo Roberto Costa, como estando envolvido no pagamento de subornos da Andrade Gutierrez ao PMDB (Partido do Movimento Democrático Brasileiro) e ao PP (Partido Progressista), por intermédio de Fernando Soares, o "Fernando Baiano", preso desde dezembro.

A impresa brasileira diz ainda que foram presos também os executivos da Odebrecht Engenharia Industrial, Márcio Faria e Rogério Araújo. Passaram ambos a ser investigados, em setembro do ano passado, depois de o ex-diretor de abastecimentos da Petrobras, os ter relacionado com abertura de contas secretas na Suíça, no valor de 23 milhões de dólares.

Desde o início da operação Lava Jato, em março de 2014, já foram presas dezenas de pessoas, entre elas o ex-diretor de abastecimento da Petrobras, Paulo Roberto Costa, e Alberto Youssef, acusado de ser o pivot do esquema de lavagem de dinheiro que envolvia a petrolífera. Esta 14ª fase da operação, denominada Erga Omnes, investiga crimes de formação de cartel, corrupção, desvios de verbas públicas, e, entre outras, lavagem de dinheiro.

Otávio Azevedo sai da PT SGPS após Rioforte
Foi em Julho de 2015, depois de conhecido o investimento ruinoso de 897 milhões de euros da PT SGPS na Rioforte (GES), que Otávio Azevedo, o principal representante da Oi na operadora portuguesa, sai do conselho de administração. Alegou então "desconforto" com o investimento da PT SGPS na empresa do grupo Espírito Santo, (que acabou por ir à falência), e disse que nunca tinha ouvido falar de tal aplicação.

A saída de Otávio Azevedo da PT SGPS deveria ser lida como um sinal claro de que a Oi desconhecia a aplicação na Rioforte. Era isso que a Oi pretendia. E foi esse o argumento usado para renegociar a fusão entre a PT SGPS e a Oi, reduzindo a posição dos portugueses na futura empresa. Nunca ficou provado que a Oi não sabia da aplicação da PT SGPS na empresa do grupo Espírito Santo, mas a operadora brasileira conseguiu levar a sua posição em frente.

Otávio Azevedo foi uma figura central na fusão entre a PT e Oi, foi ele aliás quem convidou Zeinal Bava para presidente da Oi. E terá sido também Otávio Azevedo quem afastou o ex-presidente da PT da liderança da Oi. A certa altura, os acionistas da operadora brasileira consideraram que manter Zeinal Bava na presidência da Oi prejudicava o argumento de que nada sabiam.

A fusão entre a PT e a Oi ficou ferida de morte. E pouco depois a Oi, então já dona da PT Portugal (MEO), pôs a empresa à venda. A PT Portugal é hoje controlada pelos franceses da Altice. Já a PT SGPS, que agora nada tem a ver agora com a PT Portugal, é hoje a maior acionista da Oi, com cerca de 27% do capital.