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BCE segura banca grega face a fuga de depósitos recorde

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ALKIS KONSTANTINIDIS / Reuters

Receio de que o governo grego avance com um controlo de capitais este fim de semana incendiou ainda mais a vontade de retirar o dinheiro dos bancos. Diretor-geral-adjunto da NATO avisa que as consequências de uma saída da Grécia do euro colocariam “um risco de segurança” na Europa

Jorge Nascimento Rodrigues

O Banco Central Europeu (BCE) decidiu aumentar esta semana em 3 mil milhões de euros a linha de liquidez de emergência a que o sistema bancário grego pode recorrer junto do Banco Central local para sobreviver.

O primeiro aumento de mil milhões foi decidido na quarta-feira, na reunião semanal, e o segundo, de dois mil milhões, apenas 48 horas depois, numa reunião extraordinária realizada esta sexta-feira através de teleconferência. Consta que o Banco Central grego teria pedido 3 mil milhões de euros para serem aprovados esta sexta-feira.

O teto da linha de liquidez de emergência – conhecida pela sigla ELA em inglês – está agora em 86,1 mil milhões de euros e é o único tubo de oxigénio financeira alimentando a banca helénica. A liquidez injetada pelo BCE no sistema bancário grego soma atualmente cerca de 126 mil milhões de euros, se for incluído o financiamento normal, que é atualmente de apenas 40 mil milhões de euros. Ou seja, o financiamento total do BCE representa mais de 70% do PIB estimado pelo governo de Atenas para este ano.

Fuga diária recorde
O aumento do limite da ELA com 48 horas de intervalo ocorre num contexto de fuga acelerada de depósitos dos bancos. Segundo a Reuters, na quarta-feira registou-se uma fuga diária recorde de dinheiro na ordem de €1000 milhões, que se somaram a €2000 milhões nos dois dias anteriores. O dinheiro foge a sete pés dos depósitos bancários em virtude da incerteza sobre o desfecho das negociações entre o governo grego e os credores oficiais. 

A expectativa de que a reunião do Eurogrupo realizada na quinta-feira manteria o impasse, juntamente com os rumores de que o governo grego avançaria com uma decisão surpresa de controlo de capitais este fim de semana - e ainda um feriado bancário no começo da próxima semana - incendiou ainda mais a vontade de retirar o dinheiro dos bancos.

O objetivo do BCE é evitar que uma crise de liquidez na banca grega se transforme numa crise de solvência do sistema financeiro e que esta se junte com a crise de dívida soberana com o risco de um incumprimento seletivo ao Fundo Monetário Internacional já no final deste mês.

PAUL HANNA / Reuters

Os depósitos nos bancos gregos desceram para 130 mil milhões de euros, o crédito mal parado subiu para 59 mil milhões de euros e os ativos que podem ser usados como colaterais somam 40 mil milhões de euros. Desde dezembro de 2014, a fuga de depósitos soma quase 40 mil milhões de euros. Em relação ao pico de depósitos em 2009, o “rombo” foi de 100 mil milhões de euros.

À espera do “momento Merkel” 
O Eurogrupo decidiu passar a discussão das divergências entre as duas partes, que estão identificadas e contabilizadas – e mesmo no seio dos credores oficiais, com o Fundo Monetário Internacional a recomendar uma nova renegociação da dívida grega, através de um artigo do seu economista-chefe Olivier Blanchard no blogue da organização –, para o “mais alto nível político”.

O presidente do Conselho Europeu, Donald Tusk, decidiu convocar uma cimeira extraordinária dos chefes políticos dos Estados da zona euro para a próxima segunda-feira ao final da tarde. Antes, uma nova reunião extraordinária do Eurogrupo (só com os ministros das Finanças) realizará os trabalhos de preparação, mas para os analistas a cimeira será o “momento Merkel”, em que a decisão será política – e mesmo geopolítica - e não estritamente financeira (em torno de metas de saldo primário orçamental, cortes de pensões e subidas do IVA).

Se não houver fumo branco na cimeira extraordinária de segunda-feira, a pressão sobre os bancos atingirá um clímax e o risco da necessidade de medidas drásticas poderá colocar-se de imediato.

Além da crise bancária e da crise da dívida soberana, o diretor-geral-adjunto da NATO avisou esta sexta-feira que as consequências de uma saída da Grécia do euro colocariam “um risco de segurança” na Europa. Alexander Vershbow falou esta sexta-feira numa Conferência de Segurança em Bratislava, na Eslováquia.