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Portugal já não é o principal fornecedor de importações a Angola

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As exportações cresceram 8% em junho

António Pedro Ferreira

No primeiro trimestre de 2015, China e Coreia do Sul venderam mais a Angola do que Portugal. Neste período, as exportações angolanas caíram para metade e as importações dispararam 65%

A China e a Coreia do Sul destronaram Portugal como principal fornecedor das importações angolanas, segundo a análise do Instituto Nacional de Estatística (INE) de Angola ao primeiro trimestre de 2015.

De acordo com o documento, relativo ao comércio externo, a Coreia do Sul foi o primeiro fornecedor de Angola neste período, com 137.619 milhões de kwanzas (1.034 milhões de euros) de vendas, caso aparentemente pontual, tendo em conta os registos anteriores substancialmente inferiores. 

Já a China viu as importações para Angola subirem mais de 134 por cento nos primeiros três meses do ano, face ao mesmo período de 2014, para 107.601 milhões de kwanzas (809,1 milhões de euros), tendo agora uma quota de 16,8%.

Para trás, nesta lista do INE, fica Portugal - após vários anos a liderar -, que figura agora no terceiro lugar das origens das importações por Angola, com uma quota de 10,9% e 70.033 milhões de kwanzas (526,6 milhões de euros) de produtos vendidos no primeiro trimestre, traduzindo-se numa quebra homóloga de 2,1%.

Nas exportações, a China mantém-se como principal destino dos produtos angolanos (essencialmente petróleo) ao exterior, com uma quota de 43,9% e 385.807 milhões de kwanzas (2.899 milhões de euros) de vendas, ainda assim uma quebra homóloga de 49,7%.

Seguem-se países como a Índia (quota de 7,7%), Espanha (7,6%) e França (5,7%). Portugal figura no sexto lugar dos destinos das exportações angolanas entre janeiro e março deste ano, tendo comprado 33.263 milhões de kwanzas (250 milhões de euros) de produtos, equivalente a uma quota de 3,8%.

Os ministros da Economia de Angola, Abraão Gourgel, e Portugal, António Pires de Lima, presidem a 22 de junho, em Luanda, à assinatura do memorando de entendimento de constituição do Observatório Empresarial dos dois países.

De acordo com informação do Governo angolano, este observatório vai acompanhar os investimentos portugueses em Angola e angolanos em Portugal, e, no mesmo dia, além da criação formal, terá lugar em Luanda a sua primeira reunião anual.

"O Observatório tem como função principal acompanhar os processos de análise de candidaturas de investimento, identificar obstáculos e selecionar vias ou instrumentos para ultrapassar os constrangimentos. E deverá também produzir, no final de cada exercício, uma contabilização dos fluxos de investimento", explicou no final de maio o Ministério da Economia angolano.

A criação deste observatório insere-se no programa do primeiro Fórum Empresarial Angola-Portugal, que o Governo angolano afirma ser uma iniciativa para "promover as oportunidades de negócios num e noutro país", e apelando "ao estabelecimento e aprofundamento de parcerias entre empresas angolanas e portuguesas".

No dia 23 de junho, o fórum propriamente dito vai reunir na capital angolana cerca de 400 empresários dos dois países para discutir investimentos comuns em Angola e Portugal.

De acordo com informação da Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal (AICEP), a organização desta primeira edição do fórum instituído pelos dois países será da responsabilidade do Ministério da Economia de Angola, em colaboração com a embaixada de Portugal e daquela entidade pública.

Mais de 9.000 empresas de Portugal exportam atualmente para Angola e cerca de 2.000, angolanas, são participadas por capital português, segundo dados da AICEP.

Exportações angolanas caem para metade até março e importações disparam 65%

O encaixe com as exportações angolanas caiu quase para metade no primeiro trimestre de 2015, para 6,6 mil milhões de euros, enquanto as importações dispararam 65 por cento, agravando a balança comercial.

Segundo o relatório do Instituto Nacional de Estatística (INE) de Angola relativo ao comércio externo do primeiro trimestre do ano, consultado hoje pela Lusa, a balança comercial angolana registou um saldo positivo superior a 237.425 milhões de kwanzas (1,7 mil milhões de euros), uma quebra homóloga de 78%. 

Os resultados, reconhece o documento, são influenciados pela crise da cotação internacional do barril de crude, principal produto das exportações de Angola, que desceram neste período 41,9%, para 878.483 milhões de kwanzas (6,6 mil milhões de euros).

No sentido contrário, as importações dispararam entre janeiro e março para 641.059 milhões de kwanzas (4,8 mil milhões de euros), indicam os dados do INE angolano.

Os combustíveis representaram 96,5% das exportações angolanas no primeiro trimestre, com 848.152 milhões de kwanzas (6,3 mil milhões de kwanzas), encaixe financeiro que se reduziu em 42,7% face a 2014, apesar de a quantidade até ter aumentado (maior produção).

O segundo produto de exportação é referido como proveniente do setor agrícola, mas representa apenas 0,1% do total, com 648 milhões de kwanzas (4,8 milhões de euros). 

Em contrapartida, Angola importou neste período produtos agrícolas no valor de 44.198 milhões de kwanzas (331 milhões de euros).

Maquinarias e outros aparelhos industriais foram os produtos mais importados por Angola entre janeiro e março, ascendendo a 247.969 milhões de kwanzas (1,8 mil milhões de kwanzas) de compras ao exterior neste período, um aumento homólogo de 187%.