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Eurogrupo reúne-se sob ameaça de um Grexit

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FOTO PAUL HANNA / REUTERS

Os 19 ministros das Finanças do euro reúnem-se esta quinta-feira no Luxemburgo. Na agenda está apenas um “ponto de situação” sobre as negociações mas com o resgate a expirar, a pressão para um entendimento é cada vez maior 

A descrença num acordo entre gregos e credores oficiais durante o dia de hoje vem de ambos os lados. O ministro das finanças, Yanis Varoufakis, disse ontem que cabe agora aos dirigentes políticos chegarem a um entendimento, remetendo para o chamado “alto nível” dos chefes de estado e de governo. Também o Comissário para os Assuntos económicos, Pierre Moscovici, falou de uma reunião do Eurogrupo “útil” mas sem espaço para decisões.

Para que os ministros das finanças da zona euro possam tomar a decisão que desbloqueia a tranche financeira em atraso do resgate, é necessário um “acordo técnico” entre as autoridades gregas e as três instituições: Fundo Monetário Internacional, Comissão Europeia, Banco Central Europeu. Com as divergências a subsistir no plano técnico, o Eurogrupo mantém-se de mãos atadas.

O problema é o tempo. Faltam 13 dias para o fim da extensão do resgate. A reunião de hoje, no Luxemburgo, é a última “do calendário oficial” antes do dia 30 de junho.

De acordo com um Alto Responsável do Eurogrupo, os 19 ministros das finanças estão sempre “prontos e disponíveis” para reunir de emergência. No entanto, o tempo é cada vez mais apertado, uma vez que a decisão do Eurogrupo – assumindo a necessidade de um encontro extraordinário – tem de ser ratificada em alguns dos parlamentos nacionais da zona euro, incluindo o alemão e o finlandês.

A 30 de junho, Atenas tem de garantir o pagamento de mais de 1,5 mil milhões de euros ao FMI, relativo às quatro prestações que deveriam ter sido pagas ao Fundo durante este mês. O  governo grego pediu para que fossem reembolsadas em conjunto no último dia de junho contanto que um acordo com os credores oficiais seria encontrado até lá, permitindo ao país receber os 7,2 mil milhões de euros da ajuda financeira em atraso.

Sem este dinheiro, Atenas ameaça não pagar ao FMI. O incumprimento ameaça abrir as portas da bancarrota e da saída do país do euro. O próprio banco central da Grécia veio ontem alertar para esta possibilidade e os cenários e os riscos de contágio começam a ser falados um pouco por todos os países europeus.

Passos Coelho voltou a reafirmar esta quarta-feira que “Portugal não será apanhado desprevenido numa situação de emergência” mas as consequências são “águas desconhecidas” segundo o Presidente do Banco Central Europeu, Mario Draghi.

Apesar da ameaça de um Grexit (saída da Grécia do euro) Alexis Tsipras promete dizer “um grande não” a qualquer acordo que considere inaceitável e que signifique mais austeridade para o país.

A bloquear o acordo estão várias divergências. Credores e governo grego não se entendem quanto ao cálculo do buraco orçamental para 2016, a que se junta uma posição diferente sobre a reforma das pensões.

Atenas recusa baixar mais o montante das reformas. Aceita mexer nas reformas antecipadas mas apenas prevê uma poupança na casa dos 70 milhões com esta medida em 2016. Já os credores pedem que esta poupança se aproxime dos dois mil milhões e se não for com a reforma das pensões, então, o governo do Syriza terá de apresentar medidas alternativas com o mesmo efeito orçamental.

Numa entrevista publicada hoje pelo jornal Libération, o responsável grego pelas negociações, Euclid Tsakalotos, acusa o outro lado da mesa de “não estar disposto ao compromisso” e de não deixar o governo grego “experimentar uma receita diferente” da austeridade.

A reunião do Eurogrupo começa às 15 horas (14 horas em Lisboa).  Estará também presente a diretora-geral do Fundo Monetário Internacional, Christine Lagarde.