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OPA do CaixaBank sobre o BPI "morreu"

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FOTO NUNO FOX

Os espanhóis da Caixabank deverão anunciar em breve se mantêm ou não a OPA sobre o BPI. A operação, tal como foi desenhada, morreu

A assembleia geral do BPI onde seria votada a desblindagem dos estatutos, no âmbito da oferta pública de aquisição (OPA) lançada pela Caixabank sobre o banco liderado por Fernando Ulrich, acabou por não ser suspensa, como se chegou a admitir. E os acionistas votaram contra a desblindagem dos estatutos do BPI, uma das condições que o Caixabank tinha colocado para que a OPA tivesse sucesso.

Isabel dos Santos, segundo maior acionista do BPI, já tinha dito que iria votar contra a desblindagem, uma posição em que era acompanhada pelo grupo Violas, e foi o que ambos fizeram. Os estatutos do BPI tem uso o direito de votos limitado 20%, situação que o banco espanhol queria ver alterada. 

O não dos acionistas ditou a morte da OPA do catalão CaixaBank, pelo nos termos em que ela foi lançada. Agora para que a oferta possa avançar as condições têm de ser mudadas. As ações do BPI fecharam com uma desvalorização de 6,36% para 1,236 euros, 7% abaixo dos 1,329 euros oferecidos na OPA, um sinal de que o mercado já não acredita na oferta.

O CaixaBank irá em breve ao comunicar ao mercado se mantém ou retira a OPA sobre o BPI.  "O Caixabank reiterou que este não era o momento certo para discutar a alteração de estatutos, mas como não conseguiu, como esperava, reunir as autorizações todas até  hoje  recomendou ao acionistas que votassem o ponto em causa. Caberá agora ao oferente decidir o que fazer, tendo em conta que o fim dos limites de voto era uma das condições da OPA. Certamente que comunicará uma posição muito em breve", disse ao jornalista Artur Santos Silva, o presidente do conselho de administração do BPI e fundador do banco.

Isabel dos Santos quer fusão

 Mário Silva, o presidente da Santoro, e representante de Isabel dos Santos no BPI,  volta a reafirmar a importância de olhar para a proposta da fusão entre o BCP e o BPI como um cenário relevante. "Com esta votação a OPA; nas condições em que foi lançada morre aqui. Mantemos o compromisso de dialogar com todos os acionistas na busca da melhor solução para  banco. Perfilam-se agora várias opções, teremos de aguardar os novos desenvolvimentos. A Santoro já manifestou abertura para desblindar os estatutos, no âmbito de uma operação de fusão com o BCP", frisa Mário Silva. 

Se a OPA cair, e a fusão avançar, a Santoro aceita que seja aprovada a alteração dos estatutos correspondendo a cada ação um voto. Mário Silva tem dito que o CaixaBank será bemvindo no âmbito da fusão que criaria o maior banco português.

Fernando Ulrich, o líder executivo do BPI, garante que apesar da OPA o banco continua funcionar com normalidade.  O atual impasse "em nada perturba o normal funcionamento do banco. A OPA foi lançada pelo maior acionista  que se tem revelado um esteio da atuação do BPI. É  por isso fácil de lidar com esta oferta, a vida segue com toda a tranquilidade", sublinha. 

A favor da desblindagem votaram 52%, mas para que os estatutos fossem desblindados seriam necessários 75% dos votos presentes.

A Assembleia geral do BPI decorreu no Porto, onde está sedeado o banco. O Caixabank detém 44,1% do capital e Isabel dos Santos 18,6%.