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Hélder Bataglia, o homem da Escom e do GES em Angola

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Hélder Bataglia tem estado sob suspeita e investigação do Ministério por causa da Escom (submarinos), a Akoya e agora Vale do Lobo

FOTO Jose Carlos Carvalho

O empresário luso-angolano parceiro do grupo Espírito Santo na Escom está debaixo do fogo por causa de Vale do Lobo e das novas suspeitas sobre o pagamento de luvas a José Sócrates. Foi ele que convenceu Salgado a abrir o BESA em Angola e que fez da Escom o principal instrumento dos negócios do GES em Luanda

Hélder Bataglia, 68 anos, é um homem poderoso em Angola, mas só ganhou visibilidade em Portugal quando a Escom, a empresa de que é presidente, começou a aparecer nas notícias em 2004 como assessora do consórcio alemão vencedor da venda dos submarinos pelo ministério da Defesa português, operação que ficou sob investigação. 

A Escom, de que Hélder Bataglia é presidente, fundador e acionista com 33%, é controlada em 67% pela Espírito Santo Resources, holding do Grupo Espírito Santo (GES), e tinha-se tornado nos últimos anos um instrumentos fundamental para os investimentos da família Espírito Santo em Angola. Bataglia associou-se à família Espírito Santo em 1991, na altura em que o grupo começava a recomprar as empresas perdidas durante as nacionalização no pós-25 de abril e Ricardo Salgado estava a um passo de tornar-se o presidente do BES. Nessa altura, o empresário já tinha começado a reconstruir a sua fortuna em Angola, onde tinha regressado em 1985, com o país em plena guerra civil. 

As relações com o GES foram-se estreitando através da Escom, e terá sido Hélder Bataglia a convencer Salgado a criar o BES Angola (BESA), banco que mais tarde, em 2014, contribuiu para o colapso do BES.  O gestor abriu portas junto do governo angolano, e o BESA arrancou em 2001, com Bataglia a presidir o conselho de administração, e uma pequena participação acionista.

Com problemas em Portugal, por causa das investigações à compra dos submarinos pela German Submarin Consortium e o pagamento de comissões de 30 milhões de euros pelo Estado português à Escom, nos últimos dez anos a empresa focou-se em Angola, onde tinha a sede e negócios que passavam por áreas tão diversas como a aviação, pescas, cimentos, mineração e imobiliário. Foi badalada, em 2009, a inaguração da torre da Escom, o prédio mais alto de Luanda, símbolo da nova Angola. Mas os negócios, um a um, começaram a correr mal à Escom, conforme contou  Hélder Bataglia na Comissão Parlamentar de Inquérito ao caso BES/GES, em janeiro de 2015. E em 2011 a Sonangol propôs comprar a Escom, chegou inclusive a dar um sinal, mas o negócio não avançou, e hoje a Escom está em maus lençóis. 

Ligações à Akoya e Vale do Lobo

Os tempos têm sido difíceis para Hélder Bataglia. Uma evolução recente da 'Operação Marquês', o inquérito-crime em curso no Departamento Central de Investigação e Ação Penal (DCIAP) que tem como principal suspeito José Sócrates, por indícios de corrupção, fraude fiscal e branqueamento de capitais, atinge Bataglia.  Depois de, em abril, ter enviado para prisão domiciliária Joaquim Barroca Rodrigues, um dos donos do Grupo Lena, a equipa do procurador Rosário Teixeira foi ao Algarve no início de maio para fazer buscas em Vale do Lobo, um resort de luxo de 450 hectares, de que é acionista Hélder Bataglia. O obejtivo era perceber a transferências de 14 milhões de euros para uma conta na Suíça de Joaquim Barroca, feitas pelo milionário holandês Jeroen van Dooren e pelo Hélder Bataglia - e de os dois depositantes terem como único ponto em comum Vale do Lobo.  O empresário controla o empreendimento de forma indireta a partir de uma sociedade, a Step, constituída na Holanda juntamente com Luís Horta e Costa e Pedro Ferreira Neto, dois administradores da Escom.

Hélder Bataglia esteve sob os holofotes dos media também por causa da sua ligação à Akoya, empresa de gestão de fortunas suíça, que foi investigada por causa do Caso Monte Branco. O empresário era sócio da Akoya - tal como o também angolano e ex-presidente executivo do BESA, Álvaro Sobrinho - e deixou de ser na semana em que foram detidos três gestores suíços da empresa. Disse mais tarde ao Expresso que nunca esteve ligado à gestão da Akoya, foi apenas acionista.

Poder em Angola e China

Natural do Seixal, Hélder Bataglia, partiu aos dois anos com o pai para Angola, cresceu e passou a juventude em Benguela, de onde saíu em 1975, na sequência de independência do país.  Regressou a Lisboa, frequentou o curso de engenharia no ISEL, e voltou a regressar a Angola em 1985, país mas onde fez grande parte da sua carreia e fortuna. Conta o Jornal de Negócios que antes de regressar a Angola, Hélder Bataglia iniciou-se nos negócios no Médio Oriente, em países como o Koweit, Irão e Argélia, teve operações também ligada à Rússia.

Hélder Bataglia tem sido também um elemento fundamental na relação entre a Angola e a China, nos negócios do petróleo.