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Meias capazes de se aquecerem? Estão aqui e são portuguesas

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As novas meias de aquecimento ativo WYFeet vão chegar ao mercado com um preço de venda ao público de €250

Rui Duarte Silva

Empresa está a investir para aumentar a capacidade de produção 
e espera crescer 
mais de 10% este ano

Na Faria da Costa, o preço médio de um par de meias à saída da fábrica ronda os €1,5, mas o novo modelo de aquecimento ativo WYFeet — Warm your Feet, que propõe diretamente aquecer os pés do cliente, vai passar os €50 e, no final do ano, estará à venda na Noruega, a €250 por par, e poderá calçar militares na Índia.

À primeira vista, a nova meia de lã, acrílico e coolmax (um fio funcional que facilita a respiração do pé) é igual a qualquer outra, mas a sua criação foi preparada em laboratório durante 36 meses, numa parceria com o Centro de Tecnologia Têxtil CITEVE,  envolveu um investimento de €300 mil e está a ser patenteada porque  permite programar  três níveis de temperatura diferentes e mantê-los entre 8 e 16 horas, em função do clima local.

Para isso, integra um microchip encapsulado no pé da própria meia e uma bateria elétrica, semelhante à de um telemóvel, “mas pode ir a lavar à máquina”, sublinha Nuno Costa, diretor-geral da empresa de Barcelos, fundada pelo pai em 1988.

“É uma aposta na diferenciação e valorização do produto porque a concorrência nos artigos básicos é feroz. Acreditamos obter, assim, também um maior reconhecimento para a nossa oferta de peúgas tradicionais”, explica o gestor, à espera de um crescimento de 10% a 15% nas vendas este ano, depois de faturar €3 milhões em 2014, com as exportações a responderem por 95% deste valor.

Dos 75 trabalhadores, há sempre um grupo de cinco a 10 pessoas a trabalhar no gabinete de desenvolvimento de produto. Uma das suas missões é criar peúgas funcionais de desporto para destinos como os Estados Unidos, de forma a combater o mercado sazonal das meias de lã.

“Nascemos a fazer peúgas tradicionais, mas quisemos inovar, fazer coisas mais específicas, ser mais competitivos. O nosso lema é simples: Para onde eles vão (a concorrência), já de lá nós viemos”, comenta Nuno Costa.

A capacidade de produção de duas mil dúzias de peúgas por dia está a  aumentar para as 2500 dúzias. Para isso, a empresa investe este ano €250 mil em equipamento e na substituição de lâmpadas por leds, à espera de obter uma poupança superior a 10% na fatura elétrica.

Outra aposta da empresa é aproveitar a experiência acumulada no trabalho com a lã e a flexibilidade interna da produção para alargar a oferta a cachecóis e gorros, já à venda no Reino Unido.