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Dois mil milhões de euros por ano levam a suspensão das negociações com a Grécia

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Decisão sobre as negociações com Atenas passa para a reunião do Eurogrupo na próxima quinta-feira. A separar credores oficiais e negociadores gregos 2 mil milhões de euros por ano. Cortes nas pensões e aumento do IVA no centro da discórdia

A Comissão Europeia deu por encerradas as negociações que decorreram este fim-de-semana no designado Grupo de Bruxelas entre uma representação grega de alto nível político, chefiada pelo vice-primeiro-ministro Yannis Dragaskis, e representantes dos credores oficiais, com particular intervenção do presidente da Comissão, Jean-Claude Juncker.

A resolução da situação de impasse passa agora para a reunião do Eurogrupo na próxima quinta-feira no Luxemburgo. Recorde-se que a extensão do plano de resgate termina a 30 de junho.

A suspensão das negociações ocorreu com as duas partes separadas por 0,5 a 1% do PIB grego em medidas anuais permanentes – cerca de 2 mil milhões de euros por ano, conforme o próprio comunicado da Comissão detalha. O jornal helénico “Protothema” avançava que o Fundo Monetário Internacional exigia 1,8 mil milhões de euros no corte das pensões e outra fatia de 1,8 mil milhões em aumentos do IVA. A delegação grega teria avançado com propostas alternativas que foram consideradas “incompletas”.

Quanto ao fundo dos resultados a obter nas negociações, as duas partes estariam separadas, segundo o jornal grego "Kathimerini", por duas propostas de extensão do resgate: Atenas pretendia mais nove meses (até março de 2016, convergindo com o final da intervenção do FMI) e uma resolução sobre a dívida aos credores oficiais; as três "instituições" (CE, BCE e FMI) concediam apenas até setembro com a oferta do uso parcial do Fundo Helénico de Recapitalização Bancária que dispõe ainda de 11,9 mil milhões de euros.


Tsipras com Putin e Varoufakis no Eurogrupo
"Vamos ver como as estratégias e o estado de espírito das duas partes evolui até quinta-feira, aquando do Eurogrupo. Não acho que um acordo seja impossível. Mas há muitos factores e atores envolvidos, pelo que é difícil convergirem. O facto do tempo estar a esgotar-se talvez o pressione para se aproximarem”, comenta-nos Nick Malkoutzis, editor-adjunto da edição em inglês do “Kathimerini”.

A agenda da próxima semana pode ser decisiva. A 17 e 18 de junho, o BCE reúne o seu conselho diretivo e o conselho geral em Frankfurt e o tema da autorização ou não de aumento do teto da linha de emergência de liquidez (conhecida pela sigla ELA) a que a banca grega pode recorrer estará, de novo, em cima da mesa. O BCE lançará, também, a quarta operação da sua linha de financiamento à banca da zona euro conhecida pela sigla TLTRO, uma linha de refinanciamento de longo prazo (até final de setembro de 2018) direcionada (para obrigar a banca a aumentar o crédito à economia real) que já alocou mais de 310 mil milhões de euros.

A Grécia estará diretamente envolvida em duas reuniões importantes no mesmo dia, 18 de junho. O ministro das Finanças Yannis Varoufakis participará na reunião do Eurogrupo no Luxemburgo e o primeiro-ministro Alexis Tsipras reunir-se-á com o presidente russo Vladimir Putin à margem de um Fórum Económico em São Petersburgo.