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Venda da TAP pode alcançar 488 milhões de euros

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FOTO JOÃO RELVAS

Governo diz que aquisição da companhia por parte da Gateway permitirá um encaixe que pode oscilar entre os €354 milhões e os €488 milhões, dependendo do desempenho operacional da TAP este ano. Para o Executivo, a proposta do consórcio do brasileiro David Neelman e do português Humberto Pedrosa foi a que teve "mais mérito". 

A secretária de Estado do Tesouro revelou esta quinta-feira que a compra da TAP por parte do consórcio Gateway, do brasileiro David Neelman e do português Humberto Pedrosa, poderá representar um encaixe de 488 milhões de euros no caso de um desempenho operacional positivo da companhia este ano. O valor mínimo será 354 milhões de euros.

"O valor máximo depende da forma como os resultados operacionais vão consolidar-se em 2015. O valor é medido pela capitalização, pelo preço pago por ações e pela opção de compra e venda, não sendo possível antecipar nesta fase o valor recebido daqui a dois anos", declarou Isabel Castelo Branco, em conferência de imprensa após o Conselho de Ministros, frisando que a dívida da TAP mantém-se no seu balanço.

O montante de encaixe imediato para o Estado é de 10 milhões de euros, pondendo subir até aos 140 milhões, dependendo da "possibilidade de se vir a efetuar uma operação de colocação em mercado de capitais", acrescentou.

"O valor de encaixe para o Estado é reduzido, mas importante", defendeu por seu lado o secretário de Estado dos Transportes, explicando que a proposta do grupo Gateway foi a que teve "mais mérito" atendendo às condições financeiras e ao plano estratégico da empresa. "Houve uma melhoria na proposta no ponto de vista financeiro e estratégico, tendo-se excluído também a cláusula de rescisão unilateral por parte do comprador", referiu Sérgio Monteiro.

Mais dinheiro em menos tempo
Confirmou ainda que o consórcio vencedor irá comprar 53 aviões para a TAP, respondendo à necessidade de renovação da frota da companhia: "Foi uma opinião partilhada pelo Governo e pela empresa, ter dinheiro mais cedo e em maior quantidade é fundamental para assegurar a sobrevivência da TAP." 

Sem adiantar datas, Sérgio Monteiro refere que é desejo do Governo que o fecho definitivo da transação obtenha luz verde em breve,  frisando que o processo está também dependente da aprovação dos reguladores. "Estamos focados para que a transação possa ser cumprida o mais rapidamente possível não por capricho, mas por necessidade urgente."

Reiterando que não havia alternativa à privatização da TAP, o secretário de Estado declarou que a reestruturação levaria à redução da importância da companhia."Todos sabemos as consequências de um processo de reestruturação, isso implicaria uma  redução do número de rotas, redução significativa do número dos trabalhadores e dos salários dos que ficavam.  Isso resultaria numa TAP muito mais pequenina e com um impacto na economia muito menor. O Estado não quer uma TAP que representasse menos do que o que representa hoje”, considerou.

Recado para António Costa
Sérgio Monteiro avançou que o contrato prevê em caso de incumprimento "multas diárias, o cancelamento da opção de compra e o direito do Estado fazer a reversão do negócio”, deixando ainda um apelo a António Costa, caso seja eleito líder do próximo Executivo. 

"Um dos fatores mais importantes que Portugal tem apresentado é a estabilidade das suas decisões no tempo. Não tem sido norma que as decisões dos governos anteriores plasmadas em contratos venham a ser desafiadas no futuro, penso que o dr. António Costa garantiu até que não mudaria qualquer item do plano de transportes e estruturas", realçou. 

Garantindo que a estabilidade laboral será preservada pelo dono de 61% da TAP, Sérgio Monteiro disse esperar que todos os trabalhadores e agentes económicos ajudem a "tornar 2015, que começou com alguma turbulência, como um ano de performance positiva".