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Venda da TAP é decidida hoje em Conselho de Ministros

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Efromovich é dono do grupo Synergy, que detém a Avianca, e Neeleman, acionista da Azul, concorre com o português Humberto Pedrosa

Mais capital, mais sinergias e melhor aproveitamento da manutenção no Brasil. Governo decide se entrega a companhia aérea a Germán Efromovich ou David Neeleman

A privatização da TAP pode ser decidida no Conselho de Ministros agendado para a manhã desta quinta-feira, a 11 de junho. Tudo aponta que a decisão deva ser tomada hoje, a crer nas palavras do ministro da Economia, que esta terça-feira remeteu para hoje a possibilidade de haver "boas notícias".

Os candidatos à privatização da companhia área portuguesa, Germán Efromovich e David Neeleman, entregaram na passada sexta-feira as suas propostas finais. Ao que o Expresso apurou junto de fontes próximas do processo, ambos os candidatos melhoraram as suas ofertas a nível financeiro e nos aspetos técnicos.

Há duas semanas, conforme noticiámos, era com “grande apreensão” que Germán Efromovich via a situação financeira da TAP, pelo que a sua proposta “dificilmente” seria melhorada. Nos últimos dias, porém, as dúvidas dissiparam-se e o empresário decidiu desenvolver temas que precisavam de clarificação e oferecer mais garantias ao Estado. 

Temas que dizem respeito a sinergias entre a TAP e a Avianca, mas também relacionados com o melhor aproveitamento do negócio de manutenção no Brasil, apurou o Expresso. A contribuir para a mudança de ânimo de Efromovich poderão ter estado também os apelos consecutivos do Governo. “É fundamental que os dois candidatos que passaram à última fase deem corda aos sapatos e melhorem as suas propostas”, alertou o ministro da Economia. 

Poucos dias depois, António Pires de Lima reiterou ser muito importante que “as propostas vinculativas sejam melhoradas”, deixando “um aviso, se quiserem, de amigo, aos dois concorrentes que ainda estão nesta batalha”.

Perante avanços no processo negocial com o Governo, houve também uma maior disponibilidade por parte dos seus investidores em subir a oferta em termos financeiros, soube o Expresso junto de fonte próxima do processo. Contactada, a equipa do empresário recusou prestar declarações. Na proposta que apresentou a 15 de maio, Efromovich ofereceu uma injeção de cerca de €250 milhões em “dinheiro fresco” (dos quais €150 milhões a €180 milhões para capitalizar no imediato) e €100 milhões em “espécie” — 12 aviões novos que a Avianca tem já disponíveis para a TAP operar: seis A330 (longo curso) e seis A320 (médio curso). 

Prometeu ainda a renovação da frota da Portugália (PGA), sendo que ao todo quer acrescentar 38 aviões ao grupo TAP e assegurar a chegada dos 12 Airbus A350 que a companhia já previa receber a partir de 2017 (ou seja, 50 aviões no total). 

Do plano estratégico que apresentou fazem parte o desenvolvimento das relações da TAP com a América Latina e do Sul e Estados Unidos, bem como a rentabilização do aeroporto de Beja como centro logístico de carga do grupo, com sinergias com o porto de Sines, transformando aquela infraestrutura num hub de carga do grupo (TAP e Avianca) para a Europa. Efromovich promete ainda a distribuição de dividendos (entre 10% a 20%) pelos trabalhadores.

Rota de crescimento para a TAP
O Expresso sabe que também Neeleman ofereceu mais dinheiro pela TAP. Em comunicado, o empresário declarou que “mais do que uma proposta é um compromisso de investimento e de crescimento para a TAP”, destacando que a sua prioridade é o investimento na companhia. 

“Queremos colocar a TAP numa rota de crescimento fortalecendo-a como companhia de bandeira, reforçar o hub de Lisboa de modo a que a TAP possa continuar a contribuir com cerca de €2000 milhões para a economia portuguesa através da riqueza que vai gerar, do aumento do turismo que vai proporcionar, dos empregos que vai manter e incrementar e, mais importante, dos clientes que vão poder contar mais com a TAP”.

Recorde-se que o empresário propôs inicialmente um aumento de capital entre €300 milhões e €350 milhões e um investimento na frota, encomendando 53 aviões, sobretudo de longo curso. A oferta que entregou ontem mantém os 53 aviões e prevê o reforço das ligações dentro do Brasil (para alimentar os voos transatlânticos) e mais voos de Lisboa para outros destinos dos Estados Unidos, bem como a partilha de 10% dos dividendos com os trabalhadores, como já acontece na brasileira Azul ou na norte-americana JetBlue (outra companhia de baixo custo fundada por Neeleman). 

“Nas quatro companhias aéreas que criei até hoje, os colaboradores sempre foram o nosso maior ativo. Queremos dar continuidade ao legado da TAP em matéria de segurança e profissionalismo de todos os que lá trabalham e, simultaneamente, criar uma companhia financeiramente sólida, no longo prazo, de modo a que todos se sintam orgulhosos por trabalhar numa companhia aérea que perdurará para as gerações futuras”, referiu. Contactada, a equipa de Neeleman não quis comentar a proposta final que entregou.

Entrevistado pelo "Diário Econóimico" desta quinta-feira, o presidente da TAP, Fernando Pinto, diz as as duas propostas "são sólidas e dão garantias de futuro". E precisa: "Diria que as duas [propostas] mudaramm para melhor, elas já eram equilibradas, e isso mantém-se. Cumprem o plano estratégico e garantem o futuro da TAP." 

Prazo à vista
A Parpública confirmou ter recebido duas propostas relativas à venda de 61% do capital da TAP SGPS, dentro do prazo definido pelo Governo, para a fase de negociações: uma da Gateway, de David Neeleman, e outra da SAGEF, do grupo Synergy e Germán Efromovich. 

Isabel Castelo Branco, secretária de Estado do Tesouro, anunciou que competia à Parpública fazer os relatórios sobre as propostas e submetê-lo à avaliação do Governo. Resta saber se o trabalho foi feito a tempo e horas de fazer subir esses documentos à reunião desta quinta-feira do Conselho de Ministros.

[Atualização de texto publicado no Expresso de 6 de junho]