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TAP: Neeleman entra com 350 milhões, Estado recebe “amendoins”

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João Carlos Santos

A proposta de David Neeleman totaliza 350 milhões de euros, apurou o Expresso. A maioria entra na empresa, parte é dívida de longo prazo, o Estado recebe um punhado de milhões. Dívida será reestruturada. Empresa mantém acordos com trabalhadores

A Gateway, consórcio de David Neeleman e de Humberto Pedrosa, vai comprar 61% da TAP por uma proposta que lhe custa cerca de 350 milhões de euros. Uma tranche adicional de 5% está reservada a trabalhadores. Confirma-se assim o valor avançado em primeira mão pelo semanário Expresso em manchete há cerca de um mês

A maior parte deste dinheiro entrará na própria empresa, através de um aumento de capital. Há uma parte do bolo que abarca no entanto dívida de longo prazo. A última fatia, a mais pequena de todas, é para o Estado, que acaba por receber agora menos do que os 35 milhões de euros que eram oferecidos por Germán Efromovich na proposta de 2012, que acabou por não ver a luz do dia. Desta vez, o encaixe do Estado fica-se pelos 10 milhões. 

Como se diz na gíria financeira, o Estado vai receber "peanuts" (à letra, amendoins) mas desde o princípio que o governo disse que o objetivo não era engordar os cofres do Estado, mas sim capitalizar a empresa. Recorde-se que a TAP tem os capitais próprios negativos em 550 milhões de euros.   

O consório é liderado, em termos de capital, pelo grupo português Barraqueiro, detido por Humberto Pedrosa. O projecto é no entanto controlado desde o início por David Neelman, que assume as rédeas estratégicas. 

O consórcio fica ainda com uma opção de compra para os remanescentes 34% da TAP no prazo de dois anos. 

A proposta pressupõe ainda uma reestruturação da dívida da TAP, o que terá ainda de ser acertado com os bancos credores. 

Recorde-se que a privatização decidida esta quinta-feira terá de passar pelo crivo de diversas autoridades e reguladores, o que atrasará a assinatura final em diversos meses. Entretanto, há contratos de dívida que vencem, o que ainda terá de ser negociado pelo Estado, enquanto dono da empresa até à venda final. 

O Expresso sabe que o Estado não ficará titular de dívida da TAP, mas fica ligado à negociação da dívida antiga. A TAP tem um passivo superior a mil milhões de euros, que se reparte de forma quase igual entre leasings de aviões e dívida bancária. O maior credor bancário da TAP é o BCP.

A empresa objeto da venda é a TAP SGPS, dona da TAP SA (operação de transporte aéreo) mas também de operações como a manutenção no Brasil (a VEM). Na proposta está definido que o consórcio vencedor da privatização mantém todos os acordos firmados antes pela TAP e pelo Estado, o que sossegará em parte os trabalhadores da empresa, uma vez que assim é posto de lado um cenário de despedimento imediato de pessoal. Isso não evita, no entanto, que a empresa venha a sofrer cortes de custos. Neeleman fez saber desde o início que não pretende apequenar a TAP, mas sim fazê-la crescer. Aliás, a empresa será substancialmente reforçada na sua frota de aviões.