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PS sobre a TAP: “Importa é que o povo retire o poder a Passos para que ele deixe de fazer asneiras”

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O clima de incerteza em torno da empresa não afetou a imagem da TAP junto dos jovens portugueses, que continuam a apontar a transportadora como uma empresa de sonho para trabalhar

PATRICIA DE MELO MOREIRA / AFP / Getty Images

Socialistas admitem rever o processo de privatização se forem Governo e chamaram Pires de Lima ao Parlamento com carácter de urgência. Estado recebe 10 milhões de euros pela operação

 O PS advertiu esta quinta-feira que a privatização da TAP está ainda numa "fase intercalar" e que um Governo socialista fará reverter o processo para garantir que o Estado conservará a maioria do capital da transportadora aérea.

Em conferência de imprensa, o coordenador da bancada socialista para a Economia, Rui Paulo Figueiredo, adiantou também que o PS chamará ao parlamento, com caráter de urgência, o ministro da Economia, Pires de Lima, para dar explicações detalhadas sobre o processo de privatização da TAP.

Estas posições foram assumidas pelo dirigente socialista após o Conselho de Ministros ter anunciado a decisão de vender a TAP ao consórcio Gateway, liderado pelo norte-americano e brasileiro David Neeleman, que está associado ao português Humberto Pedrosa (da Barraqueiro), rejeitando pela segunda vez a proposta de Germán Efromovich (dono da Avianca).

"Um Governo liderado [pelo secretário-geral do PS] António Costa tudo fará para que o Estado continue a manter a maioria do capital social da TAP. Por isso, o que importa agora é que o povo retire o poder ao Governo de Pedro Passos Coelho para que deixe de continuar a fazer asneiras", afirmou o deputado do PS.

Para justificar esta posição do PS, no sentido de reverter o processo de privatização dentro de alguns meses, se ganhar as próximas eleições, Rui Paulo Figueiredo citou o teor da resolução desta quinta-feira do Conselho de Ministros.

"Na resolução agora aprovada diz-se que se determina que até à liquidação física das compras e vendas a realizar (...), o Conselho de Ministros pode suspender ou anular o processo de reprivatização da TAP - e determina que, no caso de se verificar a suspensão ou termo do processo de reprivatização, não há lugar a qualquer indeminização ou compensação. Um Governo do PS não hesitará em utilizar esta cláusula", frisou o coordenador da bancada socialista.

Ou seja, de acordo com o deputado socialista, o Governo apenas deu "mais um passo provisório" no processo de privatização com a escolha do vencedor.

"Ainda vamos ter um longo caminho. Entre a escolha do vencedor e a conclusão, em média, estes processos costumam levar pelo menos seis meses", salientou.

No plano político, Rui Paulo Figueiredo justificou o requerimento de presença urgente do ministro Pires de Lima no Parlamento face "à ausência de transparência" do processo de privatização, "já que ainda há muitos documentos do processo cujo teor continua desconhecido".

"O escrutínio tem de ser imediato, porque o Governo tem-se furtado a ele. Que o ministro da Economia dê corda aos sapatos e não se esconda atrás da maioria PSD/CDS", considerou. 

Para o coordenador da bancada socialista para as questões da economia, a privatização de 100 por cento da TAP, ainda que a dois tempos, "é uma grande asneira, porque não tem em atenção o alinhamento da transportadora área nacional com os interesses estratégicos do país".

"Do nosso ponto de vista, verifica-se uma violação do interesse público. O primeiro-ministro disse hoje que teve coragem, mas coragem em fazer negócios, dizer sim aos interesses, não é sinónimo de liderança", acusou.

Rui Paulo Figueiredo afirmou depois ter registado "que o Governo fez uma noitada" para escolher o vencedor do processo de privatização - uma "pressa para fechar o negócio contra tudo e contra todos e que não se vê, por exemplo, no combate ao desemprego, ou em estimular a economia".