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BCE deu mais €2,3 mil milhões para linha de emergência à banca grega

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Frank Rumpenhorst / EPA

Mario Draghi autorizou a subida para 83 mil milhões de euros do teto da linha de liquidez de emergência (ELA) a que podem recorrer os bancos gregos junto do Banco Central helénico

O Banco Central Europeu (BCE) decidiu esta quarta-feira aumentar em mais 2,3 mil milhões de euros o limite da linha de emergência de liquidez – conhecida, na designação técnica em inglês pelo acrónimo ELA – a que os bancos comerciais gregos podem recorrer junto do Banco Central helénico, segundo a Bloomberg. O teto subiu, assim, para 83 mil milhões. O aumento foi o maior desde 18 de fevereiro. O BCE não mexeu no desconto que aplica ao valor das obrigações que recebe dos bancos como colateral para o financiamento. Alguns banqueiros centrais têm reclamado a subida do hair cut aplicável.

“O risco de dizer não [ao aumento do teto da ELA] seria precipitar todo o sistema financeiro [grego] no caos”, frisou, esta semana, o banqueiro central Yves Mersch, membro da direção do BCE. O recurso à ELA é a única via de financiamento de que dispõem atualmente os bancos helénicos, dado que o BCE lhes bloqueou o recurso às linhas de financiamento normais, desde o acordo de fevereiro para a extensão do plano de resgate à Grécia.

O BCE avalia semanalmente a solvência da banca grega e a qualidade dos colaterais que apresenta junto do banco central helénico para se financiar. Mas a equipa do presidente Mario Draghi avalia também a situação da sustentabilidade da dívida grega e as perspetivas de amortização e pagamentos de juros das obrigações gregas que detém em carteira ao abrigo do programa SMP de 2010 a 2012 (um pacote de 6,7 mil milhões de euros terá de ser amortizado a 20 de julho e 20 de agosto e juros no valor de quase 700 milhões de euros terão de ser pagos por Atenas a 19 de julho).

“Se as coisas mudarem – a qualidade do colateral, por exemplo, ou a perspetiva sobre a sustentabilidade da dívida grega – então repercutiremos essa alteração e reavaliaremos”, explicou,  esta quarta-feira em Tallinn, Ardo Hannson, o governador do Banco Central da Estónia, membro do conselho de governadores do BCE.

Esta noite em Bruxelas o primeiro-ministro Tsipras deverá reunir-se em Bruxelas com a chanceler alemã Angela Merkel e o presidente francês François Hollande depois do final da cimeira União Europeia e América Latina em mais uma tentativa política de alto nível para procurar um acordo entre a Grécia e os credores oficiais. Entretanto Tipras já reuniu esta quarta-feira com o presidente da Comissão Europeia Jean-Claude Juncker e está previsto novo encontro na quinta-feira, segundo o site grego enikos.gr. Segundo a Bloomberg, a chanceler alemã estaria disposta a ficar satisfeita se Atenas se comprometesse pelo menos "com uma reforma económica". Um porta voz do governo alemão desmentiria, depois, essa suposição considerando-a "pura invenção".

Fruto dessas expetativas positivas, as yields da dívida obrigacionista da zona euro desceram ligeiramente durante a tarde desta quarta-feira.