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Varoufakis pede a Merkel um discurso de esperança

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Ministro das Finanças grego, Yanis Varoufakis

YANNIS KOLESIDIS/EPA

O ministro das Finanças grego convida a chanceler alemã a vir a uma cidade helénica proferir um discurso de esperança tal como o secretário de Estado norte-americano Byrnes fez para a Alemanha quando se deslocou a Estugarda em setembro de 1946

Yanis Varoufakis convidou a chanceler alemã Angela Merkel a deslocar-se a uma cidade grega da sua escolha para proferir um “Discurso de Esperança” para a Grécia.

Numa coluna de opinião no Project Syndicate publicada a 4 de junho, no dia em que o primeiro-ministro grego Alexis Tsipras se reuniu em Bruxelas com o presidente da Comissão Europeia Jean-Claude Juncker, o ministro das Finanças helénico considerou a chanceler alemã o político europeu indicado para apresentar uma nova estratégia para a crise grega.

Como Tsipras se reunirá em Bruxelas na quarta-feira, 10 de junho, com Merkel e o Presidente francês François Hollande à margem da cimeira União Europeia América Latina, a coluna de opinião de Varoufakis, no quadro da política grega de charme junto da chanceler alemã, não é mera coincidência.

Varoufakis recordou que a chanceler podia simbolicamente repetir a mesma atitude do secretário de Estado norte-americano James F. Byrnes quando a 6 de setembro de 1946 proferiu em Estugarda um “Discurso de Esperança” para o país de Merkel (ela só nasceria em 1954, em Hamburgo, mas viveria na Alemanha de Leste para onde a família mudou nesse mesmo ano), abrindo caminho à alteração da política dos aliados face à derrotada Alemanha nazi.

“Um 'Discurso de Esperança' para a Grécia faria toda a diferença agora – não só para nós, mas também para os nossos credores, pois o nosso renascimento acabaria com o risco de incumprimento”, diz o ministro, para de seguida, explicar o que deveria tal discurso dizer e quem o deveria fazer.

“Tal como o discurso de Byrne foi curto no detalhe mas longo no simbolismo, um 'Discurso de Esperança' para a Grécia não tem de ser técnico. Deve simplesmente marcar uma mudança, um corte com os últimos cinco anos de acrescento de mais dívida em cima de uma dívida já insustentável baseado em mais doses de austeridade punitiva”, escreve Varoufakis.

“Quem é que o deveria fazer?”, interroga-se o ministro na coluna de opinião, para logo responder: a chanceler alemã. Que poderia dirigir-se a uma audiência em Atenas ou Tessalónica, ou em outra cidade grega à sua escolha. Refere: “Ela poderia aproveitar a oportunidade para sugerir uma nova abordagem da integração europeia, que poderia começar pelo país que mais sofreu, uma vítima tanto do defeituoso desenho monetário da zona euro como dos próprios fracassos da sua sociedade. A esperança foi uma força para o bem na Europa do pós-guerra, e poderá ser uma força de transformação positiva agora”.

“O discurso de Byrnes marcou a mudança no pós-guerra da atitude da América em relação à Alemanha e deu a uma nação abatida a oportunidade de imaginar a recuperação, o crescimento e um retorno à normalidade. Sete décadas depois, é o meu país, a Grécia, que precisa de uma tal oportunidade”,  sublinha o ministro que, na próxima terça-feira deverá reunir-se na Alemanha com o homólogo alemão, Wolfgang Schäuble.