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Grécia. Tsipras reúne-se com Merkel e Hollande e Varoufakis com Schäuble

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EPA

Mais reuniões de alto nível em busca, dizem vários jornais gregos, de um acordo intercalar que feche alguns pontos agora e deixe o resto para o outono

Fontes oficiais de Atenas confirmaram uma reunião de alto nível do primeiro-ministro grego Alexis Tsipras com a chanceler alemã Angela Merkel e o Presidente francês François Hollande na próxima semana à margem da cimeira entre a União Europeia e a América Latina.

A cimeira decorrerá em Bruxelas a 10 de junho. No dia anterior, o ministro das Finanças helénico Yanis Varoufakis, que estará na Alemanha num evento, poderá reunir-se com o homólogo alemão Wolfgang Schäuble, encontro que será confirmado na segunda-feira, disse o porta-voz do Ministério germânico.

Segundo diversos media gregos, como o “Agora” e o “Khatimerini” nas suas edições deste fim de semana, a reunião de alto nível dos três políticos à margem da cimeira da próxima quarta-feira poderá apontar para um “acordo intercalar”, uma expressão que fontes dos credores oficiais têm agora referido como possibilidade e que tem sido a proposta do ministro Varoufakis desde há várias semanas face ao impasse. O jornal britânico “The Guardian”, hoje destacado pela imprensa grega, fala da necessidade de “uma trégua” entre as partes.

O memorando interino pretenderia fechar os pontos onde há convergência ou alguma aproximação das partes (como na questão do excedente orçamental primário onde as atuais propostas estão separadas por 1,4 pontos percentuais do PIB para o período de 2015 a 2017), acordar eventualmente em algumas privatizações importantes, onde a divergência em relação à anterior proposta da troika é ainda substancial (uma diferença de 2,83 mil milhões de euros para as receitas das operações de venda em 2015 e 2016), e deixar para o outono os dossiês onde as contradições são atualmente difíceis de superar (como são nomeadamente os casos da reforma do sistema da segurança social e a concretização da reforma laboral, em que o mais recente memorando dos credores oficiais já aponta para um processo de consultas). 

Globalmente, em matéria orçamental, as diferenças nas metas de “poupança” variam entre 1,9 mil milhões de euros propostos pelo Governo para 2015 e 2,6 ou 3,5 mil milhões para o mesmo ano pelos credores oficiais, que apontam para 4,8 mil milhões em 2015 e 2016.

O jornal “Enikonomia” adiantava que Atenas e Bruxelas estavam a procurar “melhorar” as propostas de cada lado no sentido de se poder chegar a “um documento comum”. O “Agora” referia que o acordo intercalar poderia implicar uma “oferta de 11 mil milhões de euros”, sem especificar. Outros órgãos de comunicação gregos referiram, na semana passada, que poderia vir a ser desbloqueado o montante sobrante de cerca de 11 mil milhões de euros no fundo de recapitalização da banca helénica que os credores oficiais em fevereiro retiraram da alçada da instituição grega. O pressuposto é que os credores aceitariam o uso desse montante para outros objetivos.

Recorde-se que o Tesouro grego tem de pagar, a muito curto prazo, em termos de dívida externa, 1,6 mil milhões de euros ao Fundo Monetário Internacional (FMI) a 30 de junho (alguns analistas em Atenas referem que o governo de Tsipras procurará mobilizar todos os recursos de caixa de que dispõe para o efeito, evitando um incidente de incumprimento com o Fundo até 60 dias depois da falta de pagamento) e amortizar 6,7 mil milhões de euros em obrigações que vencem em julho e agosto e que estão em carteira no Banco Central Europeu (que as comprou ao abrigo do programa SMP entre 2010 e 2012). Tem ainda mais de 800 milhões de euros em juros de obrigações a pagar em julho e agosto e cerca de 180 milhões de euros de juros ao FMI em agosto. Atenas terá depois de pagar mais 3,35 mil milhões de euros ao FMI entre setembro e dezembro deste ano e mais 1,45 mil milhões até março de 2016. Há, ainda, montantes pequenos de juros a pagar a detentores de títulos denominados em ienes em julho e agosto.

Maioria dos gregos quer permanência no euro
Uma sondagem da Metron para a “Parapolitika”, publicada ontem, aponta o Syriza como novo ganhador em eleições antecipadas, se ocorressem (o que nem o Governo oficialmente defende nem os eleitores parecem querer na sua maioria), com 45% das intenções de voto (mais 8,7 pontos percentuais do que nas eleições de janeiro), e a Nova Democracia (direita), o principal partido da oposição e a formação que dirigiu a anterior coligação governamental, com 21,4% (menos 6,4 pontos percentuais do que nas eleições em janeiro). 

Os restantes partidos da oposição e o parceiro menor na atual coligação (Anel) descem também nas intenções de voto, com exceção do Potami (centro-direita) que manteria a votação obtida nas eleições de janeiro (6,1%), afirmando-se como terceiro partido do xadrez político grego. O PASOK (socialistas), que participou na coligação anterior, poderia não obter sequer representação parlamentar.

A sondagem mostra que 79% dos eleitores são a favor da permanência da Grécia no euro, 47% são a favor de um acordo com os credores e não de uma rutura (que só é defendida por 35%) e que 59% estão satisfeitos com a posição negocial do Governo face aos credores oficiais.

  • Varoufakis pede a Merkel um discurso de esperança

    O ministro das Finanças grego convida a chanceler alemã a vir a uma cidade helénica proferir um discurso de esperança tal como o secretário de Estado norte-americano Byrnes fez para a Alemanha quando se deslocou a Estugarda em setembro de 1946