Siga-nos

Perfil

Economia

Economia

Estrangeiros fazem disparar 
preços dos imóveis no Porto

  • 333

No primeiro trimestre de 2015 foram emitidos 34 alvarás de construção — um ritmo de quase três por semana — para obras na Baixa

Rui Duarte Silva

Casas nas zonas de maior procura valem quatro vezes mais que a média do mercado

Marisa Antunes

Jornalista

O impacto do interesse dos estrangeiros no imobiliário português fez disparar os preços dos imóveis de luxo em zonas apetecíveis. E não só em Lisboa. No Porto, para onde os investidores chineses e franceses começam agora a focar os seus radares, os valores subiram de forma significativa nos últimos anos e uma casa de luxo na zona prime custa hoje quatro vezes mais do que o valor médio do mercado. Segundo o estudo “O Mercado Habitacional em Portugal 2005-2015”,  apresentado esta semana pela Prime Yield em Lisboa, uma casa de gama alta na zona da Foz do Douro está a ser vendida a preços médios de €4618/m2, “quase quatro vezes mais do que os €1192/m2 que constituem o valor médio de oferta para o total do mercado habitacional do grande Porto”.

“Esta valorização está muito relacionada com os vistos gold, sendo que a maior parte são chineses, mas não só. Há inclusivamente uma dinâmica instalada no mercado em que alguns destes investidores adquirem várias unidades, reservando uma casa para a sua residência e as restantes para associar à rentabilidade”, resume José Velez, diretor-executivo da Prime Yield Portugal.   

A um outro nível também relacionado com estrangeiros, mas desta vez turistas e não potenciais residentes, está ainda todo o frenesim que se vive no centro da Invicta para a reabilitação de prédios devolutos, alguns em muito mau estado, para os transformar em unidades turísticas.  A Confidencial Imobiliário (empresa de consultoria especializada no sector imobiliário) fez contas e chegou à conclusão no novo Índice de Preços da Baixa do Porto (divulgado também esta semana) que o mercado no centro histórico da cidade registou uma valorização acumulada de 43% desde 2009, fruto de uma maior procura de edifícios para reabilitação. 

272 imóveis transacionados 
por ano só na zona histórica
A partir de dados cedidos pelo Observatório da Reabilitação da Baixa do Porto (uma iniciativa conjunta com a Porto Vivo, SRU), apurou-se que só em 2014 foram concretizadas 272 transações de imóveis na chamada ZIP – Zona de Intervenção Prioritária, que inclui, entre outros locais, Miragaia, Aliados ou Bonfim. Uma média de cinco por semana só nesta área de intervenção e que envolveu um montante acumulado de €87,5 milhões. “Esses números quase duplicaram face à realidade de 2013”, diz Ricardo Guimarães, diretor-executivo da Confidencial Imobiliário, frisando que na zona do centro histórico do Porto, ao contrário da Foz, por exemplo, existe uma grande intervenção por parte de investidores nacionais.

“Aqui a dinâmica está muito associada ao fenómeno do turismo do ponto de vista do uso dos edifícios e aos atores locais no que respeita ao investimento feito nos edifícios reabilitados para fins turísticos”, refere Ricardo Guimarães.

As transações de imóveis multiplicaram-se e, consequentemente, também as licenças de obras. Só na Baixa do Porto foram lançados no ano passado 137 alvarás de construção para obras de reabilitação, mais do que duplicando o valor de 2013. E nos primeiros três meses deste ano foram já emitidos 34 novos alvarás, a um ritmo médio de quase três por semana.

Luxo em Lisboa 73% mais caro que no Porto
Se é certo que o aumento recente na procura de imóveis em zonas-chave do Porto fez subir os preços das casas, estes continuam ainda muito mais baixos em relação à capital. O estudo da Prime Yield mostra que o luxo em Lisboa (e aqui consideraram-se os imóveis localizados na Avenida da Liberdade e no Chiado) paga-se atualmente a um valor de €8015 o metro quadrado, um valor seis vezes superior aos €1324/m2 a que em média são colocadas as casas em oferta na Grande Lisboa.

“E se, em média, as casas na Grande Lisboa apresentam preços de oferta cerca de 11% acima do Grande Porto, numa análise para o segmento de luxo, esse gap varia entre 73% no caso do centro das duas cidades”, conclui-se ainda no estudo da Prime Yield.