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Paul Rose, o homem que interrompeu o acasalamento de duas tartarugas

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National Geographic Pristine Seas

Manu San Felix/National Geographic

Paul Rose, explorador de oceanos, apresentador de televisão e um homem que não sabe o que é parar, participou na World Ocean Summit 2015 em Cascais, uma conferência organizada pela revista "The Economist", em que o oceano foi personagem principal

Para os mais desatentos no que à exploração do planeta diz respeito, Paul Rose tornou-se conhecido da população mundial depois de uma reportagem para a "National Geographic" em que interrompeu, acidentalmente, o acasalamento de duas tartarugas gigantes. O macho, zangado com Paul, decidiu persegui-lo... em câmara lenta. O vídeo tornou-se viral e, no youtube, já conta com mais de 10 milhões de visualizações.

Desde miúdo que Paul Rose percebeu que a vida e o dia-a-dia considerados normais para um rapaz de liceu não lhe assentavam. Percebeu ele e o seu professor de geografia, "o senhor Gray, que levou alguns de nós a um sítio chamado Brecon Beacons, uma cordilheira no sul do País de Gales. Fizemos mergulho, escalada, e aprendemos a ser autosuficientes. Durante dez dias. Adorava que ele ainda fosse vivo para poder agradecer-lhe. Ele mudou a minha vida. Acabei a namorar com a filha dele durante seis meses (risos). Foi uma combinação perfeita. Tenho muito para lhe agradecer".

Dessa experiência nascia um sentimento de missão, para com o planeta e para com as pessoas, explorar o mundo e ajudar na conservação do oceano. A isso juntou-se a missão Pristine, uma iniciativa da "National Geographic" e da Davidoff, que procura identificar, estudar e proteger ecossistemas marinhos frágeis por todo o mundo. E já deu frutos. Em 2012, no Gabão, foi criada uma nova reserva marinha com 46 quilómetros quadrados, valor correspondente a 23% das águas territoriais do país. Em março de 2015, o primeiro-ministro britânico, David Cameron, anunciava a criação da maior reserva marinha na remotas Ilhas Picárnia, no Pacífico Sul, com um total de 830 quilómetros quadrados.

Para Paul, é importante que este trabalho seja bem comunicado e chegue ao maior número de pessoas. A ele não lhe interessa explicar o que descobriu só a cientistas e outros exploradores, "tenho de conseguir chegar a toda a gente, que não tem contacto com esta realidade. E se aliarmos a moda e beleza à ciência, conseguimos chegar a número enorme de pessoas. Se pensarmos bem, comprar um perfume pode ser uma coisa emocional, porque gostamos da fragrância e nos identificamos com ela. Se juntarmos os dois lados emocionais, o meu na exploração de oceanos e vida selvagem e o de alguém que compra algo porque se identifica com isso, podemos ser eficazes na mensagem que queremos passar", explica.

Mais do que um explorador, Paul Rose é um protetor dos oceanos. Para ele, é no mar que está uma grande parte da riqueza de um país, "é a tal economia azul, que obriga a pensar, de forma inteligente, o oceano. Não é só conservar o oceano e as espécies, também é apostar no seu desenvolvimento sustentável. É energia, é alimento. O meu papel na economia azul e manter o oceano saudável", diz. 

"É importante que os países entendam o oceano como um todo e não só a parte que cabe a cada um. Há países que começaram a pescar tudo na sua costa, esquecendo-se que isso tem um efeito global. Se os países pensarem que precisam de proteger um 'bocado do seu bocado', outros países vão seguir o exemplo. E é importante aprender com outros, olhar para o lado e, se estiver a ser bem feito, seguir o exemplo. Mas nunca perdendo a identidade de cada país, o coração de cada povo. Os pescadores portugueses e as suas famílias são importantes para a economia azul, porque sabem o que estão a fazer e fazem-no de forma sustentável".

Como explorador e homem que já visitou os quatro cantos do mundo, Paul Rose conhece todos os pequenos segredos de cada um dos sítios onde já esteve. Há apenas um, o seu preferido, que continua a ser um local "impossível de conhecer no seu todo"... a Antártida. "É um sítio longe de tudo, povoado apenas por vida selvagem e cientistas. E é um continente enorme. Vou lá todos os anos desde 1990. É um sítio poderoso. Além disso, tem a capacidade de me colocar em perspetiva, numa escala em que me sinto apenas um ponto minúsculo no meio daquilo tudo, no meio deste planeta. É impossível sermos grandes na Antártida. Ali conseguimos perceber e medir o impacto da revolução industrial, de Chernobyl. O gás metano, libertado há 11 mil anos atrás, ainda está "preso" no gelo. É um sentimento brutal", confessa.