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Fundos de investimento 
‘andam às compras’ nos shoppings

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O Dolce Vita Tejo é uma entre as várias operações de alienação que foram concretizadas este ano. O Eurofund adquiriu o centro à Chamartín Imobiliária

Telmo Miller

O ritmo de aquisições de centros comerciais por parte dos investidores vai continuar

Marisa Antunes

Jornalista

Os grandes investidores institucionais vão continuar a comprar centros comerciais em Portugal, “operações que deverão estar fechadas dentro de dois ou três meses”, assegurou Francisco Horta e Costa, diretor-geral da CBRE Portugal, à margem da apresentação da 2ª edição do “The Property Handbook” — Guia de Investimento Imobiliário em Portugal, que a consultora lançou esta semana em parceria com os advogados da Garrigues (e que explica em detalhe todas as implicações legais e fiscais associadas ao investimento imobiliário em Portugal nos diversos sectores).

O Algarve Shopping, situado na Guia, e o Estação Viana, em Viana do Castelo, ambos da Sonae Sierra, estão à venda, bem como outros ativos de retalho com bom potencial de rentabilidade. “Há neste momento vários centros comerciais disponíveis no mercado e é provável que nos próximos dois ou três meses se venha a assistir à concretização de pelo menos uma ou duas operações com alguma dimensão e, até ao final do ano, a pelo menos mais outra transação. Neste momento estão à venda o Algarve Shopping e o Estação Viana, centros comerciais que não sendo da ‘primeira liga’ estão imediatamente naquilo a que designamos de secondary prime. Também o Novo Banco tem no seu portefólio centros comerciais de outra liga e que também estão disponíveis”, adiantou o responsável da CBRE ao Expresso, acrescentando que existe ainda um portefólio de retail parks para alienar. 

O Novo Banco ‘herdou’, recorde-se, o Évora Shopping, um projeto que pertencia à Imorendimento, com financiamento do BES. Avaliado em €60 milhões, chegou a ter como data de abertura o ano de 2012, tendo sido depois adiada para 2013, mas a verdade é que o centro comercial nunca chegou a ficar concluído.

Situação diferente tem o Algarve Shopping. O centro comercial foi ampliado em 2013, num investimento de €4,5 milhões que permitiu conquistar mais três mil metros quadrados de área, intervenção que assinalava 12 anos de existência do centro comercial. Já o Estação Viana abriu portas em 2003 e implicou um investimento de €41,2 milhões para uma área bruta locável de 17.000 m2 que permite acolher cerca de uma centena de lojas.

Cinco grandes espaços
vendidos em cinco meses
Recorde-se que o final de 2014 marcou o regresso em força dos fundos de investimento ao nosso mercado e em pouco mais de cinco meses foram concretizadas várias operações de relevo no sector dos centros comerciais. Em janeiro foi dada a conhecer a operação de venda do Freeport Alcochete aos britânicos da Hammerson (através da sua participada VIA Outlets) e pouco depois seria a vez de o Eurofund — fundo de origem espanhola e anglo-saxónica — adquirir o Dolce Vita Tejo à Chamartín Imobiliária. Em março, a Imofundos, que geria o Alverca Park, concretizava a venda deste retail park junto do fundo americano Blackstone, que dois meses mais tarde também acabaria por comprar o Almada Fórum e o Fórum Montijo.  

De acordo com os dados atualizados pela CBRE para este Guia do Investidor agora lançado, as rendas prime dos centros comerciais localizados no centro de Lisboa situam-se nos €85/m2, enquanto no Porto os shoppings da ‘primeira liga’ oferecem preços de €60/m2. Os valores descem substancialmente quando se passa para o registo de outlet, onde os preços mais elevados se fixam nos €20/m2. Nos retail parks as rendas prime praticadas atualmente situam-se nos €9/m2.