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Tsipras em Bruxelas para ouvir proposta da troika

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YVES HERMAN

Atenas vai ficar a saber até que ponto estão os credores dispostos a ceder para chegar a acordo

O primeiro-ministro grego e o Presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker encontram-se esta quarta-feira. Base para acordo passou a ser uma proposta elaborada pelas três instituições. Atenas poderá propor alterações. Credores querem acordo político até sexta-feira.

A proposta de acordo que está agora em cima da mesa foi preparada pelas três instituições - Comissão Europeia, Banco Central Europeu e Fundo Monetário Internacional – e reflete uma posição comum para mostrar a Atenas até onde os credores estão dispostos a ceder para chegar a acordo.

De lado parece ter ficado a proposta que o governo de Alexis Tsipras submeteu ao Grupo de Bruxelas na segunda-feira. O que o primeiro-ministro grego chamou de “plano realista”, os credores chamaram de “insuficiente” e “não abrangente”.

Fonte do Eurogrupo adiantou ao Expresso que as atenções centram-se agora na “proposta conjunta” da Comissão, BCE e FMI e será essa que será analisada na teleconferência desta quarta-feira do Eurogrupo Working Group (EWG), o grupo de trabalho encarregado de preparar as reuniões dos ministros das finanças do euro.

O documento para se chegar a um acordo com Atenas estava a ser trabalhado há já algum tempo mas ganhou um forte impulso após a reunião, em Berlim, entre a chanceler alemã Angela Merkel, o presidente francês François Hollande, o presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, o presidente do BCE, Mario Draghi e a diretora do FMI, Christine Lagarde.

O encontro promovido pela chanceler alemã serviu para pressionar a Comissão e o FMI a concertarem posições e a tentarem resolver o impasse nas negociações, de preferência até sexta-feira. O objetivo é que “até ao final da semana haja uma visão clara sobre se é possível haver uma ponte entre os dois lados”, explicou fonte europeia.

Durante todo o dia de terça-feira as três instituições da Troika trabalharam num “pacote alternativo”. Segundo fonte do Eurogrupo, não se trata de um documento “para pegar ou largar”, o que significa que Atenas poderá propor alterações.

A reunião do grupo de trabalho do Eurogrupo (EWG) servirá para fazer um ponto de situação mas, por enquanto, não está prevista qualquer reunião extraordinária de ministros das finanças, que permita desbloquear os 7,2 mil milhões de euros que restam do programa de resgate grego. O próprio presidente do Eurogrupo, Jeroen Dijsselbloem, disse esta terça-feira que um “acordo com a Grécia não era teoricamente possível esta semana”, acentuando as divergências que persistem entre gregos e credores.

Será possível um Eurogrupo extraordinário na próxima? Ou o governo grego terá de esperar pela reunião já marcada para 18 de junho, no Luxemburgo? “É difícil prever o que vai acontecer na próxima semana. Primeiro temos de chegar a acordo nos próximos dias”, acrescentou ainda fonte do Eurogrupo.

O entendimento, esse, necessita do aval helénico. Atenas já disse que não aceita ultimatos nem mais austeridade e que é ao governo grego que cabe apresentar propostas. No entanto, Alexis Tsipras decidiu descolar-se a Bruxelas, esta quarta, para se encontrar com Jean-Claude Juncker.

A Comissão Europeia continua a fazer o papel de mediador, mas não é certo que o governo do Syriza aceite a proposta. De acordo com o Financial Times, um excedente primário de pelo menos 3,5% do PIB – diferença entre receitas e despesas sem contar com os juros da dívida – deverá continuar a ser exigido à Grécia. Atenas tem pedido um valor muito inferior.

É agora a vez das instituições falarem na possibilidade de um entendimento que, a ser aceite pelos gregos, poderia finalmente levar à redação do tão aguardado acordo técnico entre a Grécia e as instituições, que serve de base à decisão final do Eurogrupo.

Até ao final do mês, Atenas tem de pagar 1,6 mil milhões de euros ao FMI, a que se juntam os encargos do estado helénico com salário e pensões. A "proposta conjunta" mostra a preocupação de Berlim e dos credores em resolver o assunto, não só causa por causa do risco de bancarrota mas também porque o prazo da extensão do resgate termina a 30 de junho. O tempo é cada vez menos para todos os procedimentos necessários para desembolsar o dinheiro à Grécia.