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Nova seguradora Caravela está interessada em companhias como a Açoreana

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Companhia que resulta da compra da Macif Portugal por investidores lusos está focada no crescimento orgânico, mas revela estar a acompanhar todos os processos de venda de seguradoras em Portugal

"Estamos focados no crescimento orgânico, mas não pomos de lado aquisições. Estamos a acompanhar vários dossiês." A revelação foi feita esta quarta-feira de manhã por Diamantino Marques, presidente do conselho de administração da Caravela Seguros (e antigo presidente do Instituto de Seguros de Portugal, atual ASF), num evento em Lisboa à margem da Volvo Ocean Race.

Questionado sobre quais são esses dossiês, Diamantino Marques respondeu "todos os que conhecemos" de seguradoras em Portugal que estão à venda e "até companhias que não é ainda publicamente conhecido estarem em processo de venda".

Entre as seguradoras à venda em Portugal encontra-se a Açoreana, do grupo Banif. Mas não é a única. A comunicação social já avançou que a francesa AXA está a preparar a venda do seu negócio de seguros em Portugal. Também a Lusitânia tem sido referida na imprensa como um ativo que o grupo Montepio pode alienar.

Certo é que "há capital disponível para compras", referiu Diamantino Marques. E há oportunidades no mercado, porque "Basileia III vai obrigar os bancos a largarem as seguradoras mais cedo ou mais tarde", considera.

A Caravela Seguros resulta da aquisição da Macif Portugal por investidores portugueses, agrupados na holding AAA - sociedade gestora de participações sociais.

Quem são estes investidores? Questionada, a administração presidida por Diamantino Marques e que tem Paulo Trigo (ex-quadro da Tranquilidade) como administrador-delegado, rejeita revelar nomes. Mas adianta que "são portugueses, ligados ao sector da distribuição de seguros e com muita experiência no sector". Diamantino Marques frisa que "o perfil de idoneidade foi devidamente escrutinado pela Autoridade de Supervisão de Seguros e Fundos de Pensões".

Na administração da Caravela Seguros estão ainda António Nestor Ribeiro (um dos fundadores da Mobicomp, que foi vendida à Microsoft por valores da ordem dos 100 milhões de euros, segundo veiculado pela comunicação social), como vice-presidente, Gonçalo Ramos e Costa, como responsável pelo pelouro financeiro, e José Lamego, como administrador não executivo.

Para já, a companhia atua apenas na área seguradora Não Vida e está focada nos clientes particulares e nas pequenas e médias empresas.

Segundo os responsáveis, entre janeiro e abril a produção da Caravela Seguros cresceu 25%, enquanto o mercado português Não Vida cresceu apenas 2,6%. E a companhia conta já com 85 mil clientes.

Com este crescimento, a carteira de prémios anualizada chegou aos 25,3 milhões de euros e o objetivo para o final de 2015 é atingir os 29 milhões de euros. Ou seja, crescer 40% este ano.

"Sem estragar a taxa de sinistralidade"
A estratégia definida assenta no "músculo comercial, que faltava à Macif", salienta Paulo Trigo. A companhia aposta na rede de parceiros (mediadores), que atinge já 260 agentes, 120 dos quais "novos parceiros que captámos e já estão a trabalhar connosco", diz Paulo Trigo. Aliás, estes 120 novos parceiros "foram responsáveis em abril por 12% do crescimento da carteira de prémios". No total, 95% da carteira da seguradora é intermediada por agentes e só 5% é carteira própria.

"É por causa da relação com os parceiros que a Caravela Seguros está a crescer 10 vezes mais do que o mercado", destaca Paulo Trigo.

O objetivo é crescer, mas "sem estragar a taxa de sinistralidade", argumenta Paulo Trigo. O gestor rejeita a possibilidade de vender abaixo do custo como estratégia de crescimento, considerando que "é até por causa disso que há por aí companhias à venda".

Com uma carteira de prémios onde o ramo automóvel representa 75% (e já esteve nos 90%), "estamos a crescer mais nos ramos reais (como incêndios e outros danos e seguros multirriscos) e no ramo acidentes de trabalho", revela Paulo Trigo, frisando que "convivemos bem" com o peso do ramo automóvel na carteira.

Mas o objetivo é crescer mais noutros ramos, levando a uma redução do peso do automóvel, assume a administração da companhia.

Com uma quota de mercado, nesta altura, de 0,6%, o plano de negócios prevê chegar aos 65 milhões de euros de prémios na área Não Vida, em 2018/2019, "só por crescimento orgânico", nota Paulo Trigo. Se houver aquisições, as contas serão naturalmente outras.

"Não queremos ser sempre pequenos", frisa, por sua vez, Diamantino Marques.

Com um rácio de solvência de 167% (em abril), "estamos capitalizados", salienta Paulo Trigo. "Estamos muito bem em relação à concorrência", acrescenta.

Quanto a resultados, o objetivo para este ano é chegar ao break-even antes de impostos, deixando para trás os 4,3 milhões de euros de prejuízos registados em 2014. E chegar a 2016 já com lucros, da ordem dos 2,3 milhões de euros. Resultados líquidos que o plano de negócios prevê que cheguem aos 3,5 milhões de euros em 2017.