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BCE revê em alta inflação

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Mario Draghi, presidente do Banco Central Europeu, anunciou que a previsão para a inflação em 2015 subiu para 0,3%. A previsão para o crescimento este ano mantém-se em 1,5%.

Jorge Nascimento Rodrigues

O Conselho do Banco Central Europeu (BCE) decidiu na reunião desta quarta-feira não mexer na política monetária não alterando as taxas diretoras de juros, que se mantêm desde setembro de 2014 em mínimos históricos, e anunciou uma nova previsão de inflação para 2015, revendo em alta a anterior previsão de março.

A inflação em 2015 deverá atingir 0,3% em vez de 0%, previsto anteriormente. No entanto, não mexeu nas projeções de inflação para os dois próximos anos, com o índice de preços atingindo 1,8% em 2017, já próximo da meta dos 2% da política monetária do banco central da moeda única.

Inflação longe da meta

Recorde-se que a inflação saiu de terreno negativo em abril (com o índice de preços sem alteração) registando 0,3% em maio, segundo as previsões preliminares do Eurostat para a inflação em cadeia. Uma inflação positiva já não se verificava desde novembro de 2014.

Na conferência de imprensa em Frankfurt que se seguiu à reunião, Mario Draghi, o presidente do BCE, referiu que a projeção de subida da inflação dos atuais níveis muito baixos para 1,5% em 2016 se baseia em várias previsões: os preços do petróleo não deverão descer dos atuais níveis, haverá inflação domesticamente gerada e reduzir-se-á o hiato do produto.

Draghi sublinhou que se está ainda "muito longe" da meta de inflação da política monetária do BCE, não se tendo discutido na reunião qualquer estratégia de desativação prematura do programa alargado de compra de ativos (cuja intenção é durar até setembro de 2016), nem a sua expansão. Sublinhou que "não há sinal de risco de bolha" financeira - a não ser em situações muito localizadas - e que não vai mudar a política porque as yields da dívida pública dos membros do euro estão a ficar "um pouco nervosas" (a atenção dos analistas esteve esta quarta-feira centrada na subida das yields das obrigações alemãs a 10 anos que fixaram por altura da conferência de imprensa de Draghi um máximo do ano acima de 0,8%, quando, ainda há três meses, haviam descido para um mínimo histórico de 0,07%).

Referiu que o BCE não ficou surpreendido com a subida da inflação para 0,3% em maio, ligeiramente acima das expetativas de inflação do mercado (que apontavam para 0,2%).

Draghi esperava "números mais fortes"

Quanto às previsões de crescimento para 2015 e os próximos dois anos, o BCE não anunciou nenhuma revisão, a não ser menos uma décima na projeção para 2017. O crescimento do PIB da zona euro deverá situar-se em 1,5% em 2015, com uma subida projetada para 2016 e 2017, prevendo-se 1,9% e 2% respetivamente. Confessou, no entanto, que, em matéria de crescimento, esperava "números mais fortes". Mas a culpa é dos mercados emergentes, pois a procura interna na zona euro mantém-se forte.

Nas previsões da OCDE, também divulgadas esta quarta-feira, o crescimento da zona euro foi revisto em alta para 1,4%, mas mesmo assim fica abaixo da previsão do BCE.

Em qualquer das previsões, o crescimento do PIB da zona euro sairá do terreno francamente "medíocre" de 0,9% em 2014. Mas continuará muito abaixo do previsto para os Estados Unidos, com projeções de 3,1% em 2015 e 3% em 2016, segundo a OCDE.