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Oceanário já tem cinco interessados

As propostas dos interessados deverão ser entregues até 12 de junho

João Carlos Santos

Soares dos Santos, Zoomarine, Parque Reunidos, Aspro Parks e dona do Sea Life na corrida à concessão.

O concurso para a concessão do Oceanário de Lisboa já despertou interesse junto de pelo menos cinco entidades que, segundo apurou o Expresso, estão a posicionar-se para a apresentação de candidaturas. E são já duas as que o assumem publicamente: depois de a família Soares dos Santos ter revelado o seu interesse neste processo, agora é a vez de a empresa proprietária do Zoomarine, a Mundo Aquático SA assumir que vai a jogo.

A informação foi confirmada ao Expresso pelo administrador da empresa José Ignacio Cobo, pormenorizando que o dossiê que será entregue ao Governo está a ser preparado com o apoio da consultora financeira ASK. No início deste mês, o Expresso tinha já noticiado a intenção da família Soares dos Santos, dona do Pingo Doce, de participar no concurso através da sua holding familiar — a Sociedade Francisco Manuel dos Santos —, com o objetivo de fazer desta infraestrutura, construída para a Expo-98, o eixo central de uma nova Fundação para o Oceano.

Segundo apurou o Expresso, o número de concorrentes deverá, no entanto, aumentar até 12 de junho, o prazo-limite para a entrega de propostas. Foi essa, aliás, a convicção expressa esta semana pelo ministro do Ambiente, Moreira da Silva, que reiterou a existência de “muitos interessados” na concessão.

Fontes próximas ao processo dão como certa a entrada em campo de pelo menos mais três empresas, que deverão estar presentes nas visitas técnicas ao Oceanário que serão feitas durante a próxima semana, ao abrigo do concurso: a Merlin Entertainments, dona do Sea Life no Porto e proprietária de 100 parques temáticos em todo o mundo, como a Legoland; a espanhola Parque Reunidos, que explora mais de 50 parques temáticos, zoológicos e aquários na Europa e Estados Unidos; e a Aspro Parks, proprietária de mais de quatro dezenas de parques temáticos e aquários como o L’Aquarium Barcelona. 

Até ao fecho desta edição, não foi possível obter comentários da Aspro Parks e da Parque Reunidos sobre este processo. Já a Merlin Entertainments diz que “não tem qualquer comentário ou declaração a fazer”. 

Por parte da Mundo Aquático SA, o administrador José Ignacio Cobo assume a confiança na capacidade de apresentar uma proposta vencedora. Não só porque “o Zoomarine é uma empresa portuguesa com quase 25 anos de experiência” no universo marinho, mas também pelas “grandes sinergias” que seriam criadas com o Oceanário. Sobre a proposta concreta que será entregue ao Governo, Ignacio Cobo escuda-se nos “acordos de confidencialidade” para não avançar detalhes. Mas assume que o prazo estipulado “é muito curto”, tendo em conta a engenharia financeira que a empresa terá de montar para ir a concurso.

A este propósito, no entanto, a previsão de €40 milhões avançada pelo Governo para o encaixe financeiro com esta concessão não é vista como um obstáculo. Até porque, nota, as bases para a concessão divulgadas pelo Governo definem que “o valor final a pagar pode ser alcançado de várias formas”. “Pode pagar-se um montante mais baixo ao início e depois um fee anual ao Estado durante o período de concessão”.

Por parte da família Soares dos Santos, o Oceanário é encarado como uma peça fundamental na estratégia de criação da nova Fundação para o Oceano. Porque a exploração do segundo maior oceanário do mundo aceleraria a credibilidade e notoriedade da Fundação e porque esta infraestrutura seria a base para todos os projetos científicos na área da literacia sobre o mar e conservação de oceanos.

A “missão científica” da proposta a entregar ao Governo é, de resto, encarada pela família Soares dos Santos como uma mais-valia, por contraponto à expectativa de propostas mais viradas para o entretenimento dos restantes concorrentes. Nesse sentido, além de trabalhar com a consultora McKinsey, a família Soares dos Santos contratou também o biólogo marinho Mark Smith, que foi o coordenador científico na génese do Oceanário, e está a criar uma rede de apoios com universidades e entidades internacionais como a National Geographic.


NÚMEROS    

Encaixe de 40 milhões
No Orçamento do Estado para 2015, o Governo previu um encaixe de €40 milhões com a concessão do Oceanário

Lucro de €1,1 milhões
Em 2013, o Oceanário teve um lucro de €1,1 milhões, mais 20% do que em 2012. As receitas caíram, no entanto, 4%, para €10,3 milhões

1 milhão de visitantes por ano
Desde a inauguração, na Expo 98, o Oceanário já foi visitado por 18 milhões de pessoas

30 anos de concessão
O prazo da concessão é de 30 anos, mas o Estado pode resgatar o Oceanário após os primeiros 10 anos por “motivos de interesse público”