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Efromovich sem “mudanças substanciais” na sua proposta

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Após a escolha do comprador haverá uma renegociação com a banca, com vista a estender as maturidades da dívida da TAP

LUÍS BARRA

Dívida de €400 milhões que vence até setembro é um dos temas que deixam 
o candidato apreensivo. Mas não só. A sua proposta “dificilmente” será melhorada 

É com “grande apreensão” que Germán Efromovich vê a “deterioração completa” da TAP nos últimos meses. Fonte da equipa do empresário adianta ao Expresso que a proposta apresentada “dificilmente” vai ser melhorada. Em causa, aponta a mesma fonte, estão, além da dívida de curto e médio prazo, os cerca de €100 milhões em receitas que continuam retidos na Venezuela e em Angola, os efeitos da greve que os pilotos cumpriram em maio e que custou €35 milhões à companhia aérea, mas também as diversas campanhas de promoção para destinos como Brasil e África que a TAP tem promovido desde então. “Temos aprofundado a nossa capacidade de vender pela internet que é um canal de vendas que permite resultados imediatos”, confirma fonte oficial da TAP. Mas a leitura que a equipa de Efromovich faz dessas vendas é que têm o objetivo de resolver os problemas de tesouraria a curto prazo, mas que terão consequências no futuro. Contam como receitas agora, mas serão custos depois, destrinça a mesma fonte.

Outra “questão” que está a contribuir para a “apreensão” de Efromovich diz respeito ao contrato que a TAP tem estabelecido com a ANA relativamente à Lojas Francas. A equipa do empresário receia que a gestora aeroportuária não renove o contrato, que tem validade até 2020, e que isso represente perdas para a TAP no futuro. Fonte oficial da companhia detalha que o volume de negócios da Lojas Francas em 2014 foi de €180 milhões, com um benefício para a TAP (comissões de gestão, dividendos e vendas a bordo) de €8,85 milhões.

Por estes motivos, não são assim previsíveis “mudanças substanciais” na oferta final que Germán Efromovich vier a apresentar até 5 de junho, data que o Governo definiu para entrega das propostas vinculativas “melhoradas e finais” por parte dos candidatos à compra da companhia aérea portuguesa, finda a fase de negociações prevista no caderno de encargos da privatização. Na corrida estão a SAGEF (grupo Synergy — Germán Efromovich) e a Gateway (DGN, de David Neeleman, e HPGB, de Humberto Pedrosa, presidente da Barraqueiro). Contactada, a equipa de Neeleman não comenta os ajustes que fará à sua oferta.

Banca disponível
para negociar dívida
Miguel Pais do Amaral, que foi excluído do processo de privatização, disse esta semana, em entrevista ao “Jornal de Negócios”, que considera “altamente provável” que o Estado tenha de assumir parte da dívida da companhia aérea portuguesa para que a empresa seja vendida. No final do ano passado, a dívida bancária da TAP ascendia a €646,7 milhões, dos quais €515,9 milhões com prazo de pagamento a menos de um ano. Ao que o Expresso apurou junto de fontes próximas do processo, há cerca de €400 milhões de dívida da TAP que vencem até que o novo comprador tome posse, ou seja, antes do último trimestre do ano. A responsabilidade da dívida permanecerá na empresa, de acordo com as mesmas fontes. Mas logo após a escolha do comprador — decisão que o Governo pretende tomar até meados de junho — haverá uma renegociação com a banca, com vista a estender as maturidades da dívida. Nesse processo, deverão estar a TAP, o Estado (através da Parpública) e o futuro comprador (ainda antes de tomar posse). A partir do momento em que o novo dono da TAP estiver escolhido, conhecendo-se o plano de investimento, a capacidade operacional e de gestão que trazem para a companhia, os bancos já estarão em condições de negociar. Alguns, aliás, já manifestaram essa disponibilidade junto do Governo.

As propostas
em discussão
Na proposta que apresentou a 15 de maio, Neeleman propõe um aumento de capital entre €300 milhões e €350 milhões e um investimento na frota, com a compra de 53 aviões (que terá de encomendar), sobretudo de longo curso. A oferta prevê o reforço das ligações dentro do Brasil (para alimentar os voos transatlânticos) e mais voos de Lisboa para outros destinos dos Estados Unidos, bem como a partilha de 10% dos dividendos com os trabalhadores, como já acontece na brasileira Azul ou na norte-americana JetBlue (outra companhia de baixo custo fundada por Neeleman). 

Efromovich concorre pela segunda vez à compra da TAP. Depois de quase ter ficado com 100% do grupo em 2012 — não ficou por falta de garantias — Germán Efromovich oferece agora uma injeção de cerca de €250 milhões em “dinheiro fresco” (dos quais €150 milhões a €180 milhões para capitalizar no imediato) e €100 milhões em “espécie” — 12 aviões novos que a Avianca tem já disponíveis para a TAP operar: seis A330 (longo curso) e seis A320 (médio curso). Promete ainda a renovação da frota da Portugália (PGA), sendo que ao todo pretende acrescentar 38 aviões ao grupo TAP e assegurar a chegada dos 12 Airbus A350 que a companhia já previa receber a partir de 2017 (ou seja, 50 aviões no total). Do plano estratégico que apresentou fazem parte o desenvolvimento das relações da TAP com a América Latina e do Sul e Estados Unidos, bem como a rentabilização do aeroporto de Beja como centro logístico de carga do grupo, com sinergias com o porto de Sines, transformando aquela infraestrutura num hub de carga do grupo (TAP e Avianca) para a Europa. Efromovich promete ainda a distribuição de dividendos (entre 10% a 20%) pelos trabalhadores.