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Torniquetes no metro, polémica no Porto

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Sérgio Granadeiro

As principais estações de metro no centro do Porto vão ter torniquetes para combater as fraudes. Projetistas das estações subterrâneas, Álvaro Siza Vieira e Souto Moura, não foram ouvidos, a Câmara também não.

Duas diferenças essenciais marcam as operações do metro do Porto e Lisboa. No caso do Porto, a circulação é maioritariamente à superfície e todas as estações são abertas, de acesso livre. Nada de torniquetes ou cancelas, apenas uma barreira para validações do cartão Andante.

Esta segunda especificidade mais amigável para os clientes tem os dias contados. Mas só nas principais estações subterrâneas, no centro do Porto. Nas restantes, é inviável pela convivência das estações com o espaço público adjacente. O desígnio é combater a fraude e aumentar as receitas.

Nesta fase, a Metro do Porto e o consórcio catalão Moventis / TMB, que explorará a rede a partir de agosto, avaliam quais as estações em que se justifica, por razões e rentabilidade, aplicar torniquetes. É que as estações não foram projetadas para serem vedadas.

No Bolhão é fácil

Por exemplo, a estação do Bolhão tem quatro acessos por escadas rolantes e será fácil de fechar. Já os acessos na Trindade são mais dispersos e a colocação de torniquetes revela-se mais cara e complicada. Segundo o Expresso apurou, serão entre cinco e 10 as estações que poderão contar com torniquetes.

O orçamento é de €5 milhões e será repartido pela Metro (70%) e pelo novo concessionário (30%). Foi o consórcio catalão que forçou esta medida para aumentar as receitas. A empresa do Metro tem seis meses, após o início de exploração da rede, para instalar os torniquetes, sob pena de incorrer numa multa. No limite, pode de ter de pagar €3 milhões.

Combater as fraudes

O presidente da Câmara do Porto, Rui Moreira, já se manifestou contra a medida. "É uma forma totalmente diferente de usar o metro”, diz Rui Moreira, que defende “outros meios de reduzir a fraude, aumentando a fiscalização”.

Os projetistas das estações subterrâneas, Álvaro Siza Vieira e Souto Moura, não foram ouvidos sobre a introdução dos torniquetes. A Câmara do Porto também não.

 O presidente da câmara de Gaia, EduardoVítor Rodrigues, diz que "é evidente que as estações não foram feitas para serem fechadas", mas que esse "é um detalhe" que pouco interessa. O ponto é que essa é uma das alterações introduzidas ao caderno de encargos depois do concurso lançado.

Segundo um estudo citado pela secretaria de Estado dos Transportes, 10% dos utilizadores do metro não pagam bilhete. Fazendo as contas, são 5,7 milhões de borlistas e um corte na receita na ordem de €3,9 milhões. O operador privado encaixa 30% da receita de bilheteira.

Em 2014, a metro do Porto bateu  três recordes: na procura (57 milhões de passageiros), na receita (€40 milhões) e na taxa de cobertura dos custos operacionais pelas receitas (91%). Mas as perdas permanecem colossais: €85 milhões nos resultados operacionais e €400 milhões nos resultados líquidos. A dívida subiu para os €3,2 mil milhões.