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Açúcar azeda resultados do grupo RAR

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João Nuno Macedo Silva dirige a RAR, um dos maiores grupos portugueses de raiz industrial

Sérgio Granadeiro

O negócio do açúcar é um travo amargo para a RAR. Em 2014, a RAR Açúcar registou perdas de €5,9 milhões. O conglomerado faturou perto de 1000 milhões de euros.

O negócio do açúcar permanece como o que mais azeda o desempenho da RAR, um dos maiores grupos portugueses de raiz industrial, dirigido por João Nuno Macedo Silva. 

Em 2014, a RAR Açúcar reduziu a receita e agravou as perdas face ao ano anterior. As perdas operacionais foram de 5,9 milhões de euros (1,3 milhões de euros em 2013), faturando 72,4 milhões de euros (96 milhões de euros em 2013).

No relatório divulgado esta quinta-feira, o conselho de administração justifica o desempenho "pela forte descida de preços do açúcar na Europa", devido "ao escoamento de elevados stocks em fim de campanha" e aos movimentos "de conquista de mercado"  por causa do do fim de quotas da beterraba, em 2017".

Em volume , as vendas estiveram em linha com os anos anteriores. O resultado foi uma perda para todos os operadores europeus. Mas a RAR acredita numa "recuperação de preços" já em 2015. Neste ambiente, o grupo da família Macedo Silva insiste na política de "racionalização de custos e otimização operacional" que em 2014 conduziu à redução de 162 para 142 empregados.

Em todo o seu universo, o conglomerado conta 6232 assalariados, mais de três quartos nos mercados exteriores em que opera. 

Chocolates e saladas aguentam
O açúcar destoou dos restantes negócios do ramo alimentar. A Vitacress (saladas, tomates e outros produtos frescos) cresceu ligeiramente a faturação (211 milhões de euros) e os fundos libertos (8,2 milhões de euros). O verão quente no Reino Unido e o "posicionamento da marca nos segmentos em maior crescimento", como as ervas aromáticas, explicam a melhoria da rendibilidade.

Nos chocolates, a Imperial esteve em linha com o exercício anterior, subindo ligeiramente as vendas (26,8 milhões de euros), mas reduzindo o cash flow operacional (3,3 milhões de euros).

Brasil penaliza Colep
O motor do conglomerado fabril é a Colep, a empresa de embalagens com operações, diretas ou em parceria em 19 unidades, em todo o mundo. A multinacional Colep subiu as vendas 3% (512 milhões de euros) e melhorou os resultado operacional para 38,2 milhões  de euros (+15%), apesar da operação no Brasil (com um peso de 30%) ter sido dececionante. O consumo no Brasil registou uma quebra, afetando a rentabilidade da empresa. Já a operação no México, ainda recente, "esteve acima das expectativas" e  promete tornar-se "numa unidade de referência".

O grupo RAR, que conta ainda com uma trading (Acembex), opera no turismo (Geostar) e no imobiliário (RAR Imobiliária) fechou 2014 com uma faturação consolidada de 989 milhões de euros (o seu recorde está acima dos 1000 milhões de euros), resultados operacionais de 54 milhões de euros (+10%) e resultados líquidos  de 154 mil euros, mais favoráveis do que em 2014 em que registara perdas de 6 milhões  de euros.