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Supermercados Alisuper estão de novo à venda

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O empresário José Nogueira comprou a cadeia Alisuper em 2012, por 26 milhões de euros

Luis Coelho

Grupo Nogueira, que comprou a cadeia algarvia de supermercados insolvente em 2012, tem à venda quase duas dezenas de lojas. Nove vão ser vendidas ao Intermarché, num investimento de 5 milhões de euros. As negociações continuam com o grupo Jerónimo Martins

Em 2012, a compra da rede de supermercados algarvios Alisuper pelo empresário José Nogueira, numa altura em que se encontrava insolvente, foi motivo de celebração para o Governo. O então secretário de Estado adjunto da Economia, António Almeida Henriques (hoje presidente da Câmara Municipal de Viseu), afirmou nessa altura que o processo aquisição era “quase uma ressurreição da empresa sem que o Estado tenha gasto sequer um cêntimo. Desde que chegámos ao Governo que começámos a acompanhar este caso, apoiando o empresário José Nogueira no contacto com a banca e com a massa falida”.

As palavras, otimistas, esbarraram com o contexto económico pelo qual a cadeia de retalho passou nos últimos anos, sobretudo com a sazonalidade do Algarve – que leva a que muitas destas lojas tenham de encerrar durante o inverno, ainda que se mantenham todos os custos associados à operação, como as despesas com pessoal, rendas dos estabelecimentos e faturas da eletricidade, por exemplo.

Dois anos depois, 18 lojas Alisuper estão à venda. O Intermarché, detido pelo grupo Os Mosqueteiros, acaba de assinar um contrato para a aquisição de 9 dessas lojas, localizadas em Albufeira, Alvor, Quarteira, Aljezur, Sagres e Loulé. Esta operação, ainda à espera da aprovação da Autoridade da Concorrência, representa um investimento de 5 milhões de euros. Em comunicado, Carlos Almeida, administrador do Intermarché afirma que o objetivo é “não só manter os 51 postos de trabalho alocados atualmente a estas superfícies, como ainda temos a perspetiva de criar mais 90 postos de trabalho a médio prazo”.

Ao Expresso, José Nogueira conta que ainda estão a decorrer negociações com o grupo Jerónimo Martins, dono do Pingo Doce. “Ainda não há informações que possa avançar, porque as conversações ainda não acabaram”, explica. A intenção do empresário é vender outras 9 lojas e manter outras três dezenas nas suas mãos.

“Não vamos encerrar lojas. Estamos a reestruturar a operação e a vender as que não são rentáveis. O nosso objetivo é rentabilizar o grupo”, garante. E congratula-se com o acordo assinado com o Intermarché, sobretudo porque “salvaguarda cerca de 50 trabalhadores, que transitam para os quadros do grupo”, no caso de a operação receber luz verde.

Não haverá desinvestimento, afirma. Aliás, o empresário considera a possibilidade de expandir a insígnia Alisuper para novas zonas do país, mais a Norte. Atualmente, a rede tem cinco estabelecimentos na zona de Cascais, Oeiras e Seixal. E o empresário, natural da região do Douro, também inaugurou uma loja em Moimenta da Beira, em 2013.

Negócio de 26 milhões de euros

José Nogueira conseguiu reabrir 50 dos 81 estabelecimentos que a cadeia Alisuper chegou a ter, quando estava nas mãos da cooperativa Alicoop, que entrou em insolvência em 2009. A aquisição da rede de retalho alimentar envolveu valores na ordem dos 26 milhões de euros, aproximadamente o valor das dívidas que tinha ao Estado, Segurança Social, credores, fornecedores e trabalhadores.

Em março de 2012, Nogueira contava: “O interesse vem de longe. Tenho duas empresas, uma de frutas e hortícolas, outra de transformação e comércio de carnes, pelo que acaba por ser uma mais-valia a aquisição de uma rede de distribuição. É uma forma de conseguirmos dominar a parte mais difícil do sector da alimentação, que é pôr cá para fora os nosso produtos.”

Em 2013, as vendas chegaram aos 27,5 milhões de euros e ascenderam aos 30 milhões no ano passado. Nos primeiros cinco meses de 2015, assegura, as receitas “estão ao nível do ano passado”. “As vendas até correm bem”, assegura Nogueira. Sobretudo no verão. O problema chega com o inverno.

Em março deste ano, o Expresso deu conta das novas dificuldades que o grupo estaria a viver, incluindo dívidas a fornecedores, atrasos no pagamento dos salários aos 340 trabalhadores do grupo e o encerramento de uma das lojas Alisuper, em Olhão. O empresário admitiu, nessa altura, as “dificuldades” e explicou que os salários já “tinham sido todos pagos”, mas garantiu que a viabilidade da rede de supermercados não estava em causa. “Estamos a pagar as dívidas, a cumprir todos os prazos. Inclusivamente, tínhamos uma fatura de €1,4 milhões devida à EDP que já foi saldada”, explicou.

Original do Douro, José Nogueira detém o grupo Fumados do Douro, que no ano passado faturou 17,5 milhões de euros e exporta os seus produtos de carne para países como Angola, França, Holanda, Luxemburgo ou Inglaterra. É ainda proprietário da Frutas do Sul. O grupo Nogueira (Alisuper incluído) terá faturado, em 2014, “perto de €60 milhões”. A venda de 18 lojas Alisuper será uma forma de reequilibrar as contas: “Temos tirado das empresas para pôr no Alisuper. Este processo vai permitir que fiquem melhor de saúde”, acredita.