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Pais do Amaral considera provável que o Estado assuma dívida da TAP

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O empresário que ficou fora da corrida à companhia áerea por não ter feito uma proposta de compra vinculativa diz ser "altamente provável" que o Estado tenha de ficar com parte da dívida da TAP, que já supera os 1000 milhões de euros. 

Miguel Pais do Amaral, empresário que foi na passada quinta-feira excluído do processo de privatização da TAP, considera "altamente provável" que o Estado tenha de assumir parte da dívida da companhia aérea portuguesa para que a empresa seja vendida. 

"Não está previsto que o Estado assuma dívida, mas não sei se algum dos proponentes está disponível para ficar com a TAP sem que o Estado assuma ou garanta uma parte. Este processo pode não chegar ao fim, atendendo a uma enorme pressão de tempo, à instabilidade laboral, à situação da empresa e à situação dos credores", comenta Pais do Amaral em entrevista ao "Jornal de Negócios" desta segunda-feira. 

O investidor estima na entrevista que o montante de dívida da TAP que seria necessário o Estado português assumir se situará "algures entre 200 e 400 milhões [de euros]". 

No final do ano passado a dívida total da TAP era de 1062 milhões de euros, em linha com o nível de endividamento verificado em 2013, segundo o relatório e contas anual da empresa. 

"O Estado assumir ou garantir dívida era uma das condições da nossa carta. Não basta renegociar uma extensão das maturidades", refere ainda Miguel Pais do Amaral. 

O empresário, recorde-se, foi um dos três interessados que apresentaram propostas ao Governo português para participar na privatização da TAP. Só que, ao contrário de David Neeleman (fundador da companhia aérea Azul) e de German Efromovich (dono da Avianca), Pais do Amaral não entregou uma oferta vinculativa. 

Na última quinta-feira, em Conselho de Ministros, o Governo decidiu passar a uma etapa de negociações com os únicos dois interessados na TAP que entregaram propostas vinculativas, David Neeleman e German Efromovich. 

Sobre a sua proposta, Pais do Amaral explica o facto de não ser vinculativa por não ter tido "oportunidade de fazer todo o trabalho necessário", nomeadamente garantir paz laboral. 

"Aquilo que aconselha a experiência de privatizar uma empresa com estas características é que se deve sentar à mesa o vendedor, os credores, os trabalhadores e o comprador. O comprador não está disposto a passar um cheque sem garantir a estabilidade laboral nem sem ter a garantia de que os credores estão de acordo com o plano e que eventualmente o vendedor assume alguma da dívida. A nossa carta não é mais do que isto: propor este plano", explica ao "Jornal de Negócios. 

Além disso, o empresário realça ainda que "a TAP apresentou um plano de negócios muito mal feito", no âmbito da privatização que está a ser levada a cabo.